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Título: A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num bar

Autor: Ricardo Araújo Pereira

Editora: Tinta-da-China

 

Este é um livro de leitura obrigatória para quem se interessa pelo humor em geral e pela escrita humorística em particular. Não nos ensina a escrever de forma humorística, nem nos faz rir, algo que geralmente esperamos de Ricardo Araújo Pereira. O sentido de humor que lhe é (ou assim parece ser) inato está lá, sente-se por vezes, mas não foi para isso que este livro foi escrito.

 

É uma espécie de enciclopédia sobre o humor, sobre as várias formas de o fazer, com imensos exemplos clássicos e contemporâneos, não só presentes em livros como também em séries televisivas, por exemplo. Peca por ser demasiado curto, apesar de conter o essencial, parece-nos que fica muito por dizer. Não sei se Ricardo Araújo Pereira quis ser o mais objectivo e menos aborrecido possível, mas deveria saber que a maioria de nós não se importaria nada de ler duzentas ou trezentas páginas sobre o que tem para partilhar connosco acerca deste tema.

 

Pontuação: 3

 

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Opinião | Caviar é uma ova

por Alexandra, em 17.01.17

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Título: Caviar é uma ova

Autor: Gregorio Duvivier

Editora: Tinta-da-China

 

Este pequeno livro de crónicas de Gregorio Duvivier foi uma excelente escolha para o início de 2017 e um óptimo impulso para, finalmente, começar a ver de forma assídua a Porta dos Fundos.

 

As suas crónicas estão carregadas de um sentido de humor excepcional, enquanto nos conduzem por temas actuais, direccionados, sobretudo, para a situação política brasileira (fiquei com pena de não estar mais informada sobre a mesma, de modo a perceber certas piadas), mas são também sobre situações caricatas do quotidiano e aspectos mais pessoais da sua vida, sempre descritos com muita piada. Foi-me impossível não rir durante a maioria das crónicas, uma vez que Gregorio tem o sentido de humor que mais aprecio, consegue fazer uma piada de uma coisa perfeitamente banal, consegue apontar defeitos e fazer duras críticas sociais de forma leve, descontraída, fazendo-nos rir de nós próprios, por vezes. Recomendo vivamente.

 

O estranho é que, independentemente da sua orientação em relação à carne, não há quem não concorde que o vegetarianismo seria melhor para o mundo, seja do ponto de vista dos animais, ou do meio ambiente, ou da saúde, ou de tudo junto. O problema é exatamente esse: alguém fazendo alguma coisa lembra a gente de que a gente não está fazendo nada. Quando o vizinho separa o lixo, você se sente mal por não separar. A solução? Xingar o vizinho, esse hipócrita que separa o lixo, mas fuma cigarro. Assim é fácil, vizinho.

Quem não faz nada para mudar o mundo está sempre muito empenhado em provar que a pessoa que faz alguma coisa está errada - melhor seria se usasse essa energia para tentar mudar, de fato, alguma coisa. Como diria a minha avó: não quer ajuda, não atrapalha.

 

Pontuação: 3,5

 

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Opinião | Gente Melancolicamente Louca

por Alexandra, em 30.11.16

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Título: Gente Melancolicamente Louca

Autor: Teresa Veiga

Editora: Tinta-da-China

 

Penso que nunca dei cinco estrelas a um livro de contos. Sou muito esquisita com este género literário, com a rapidez com que tudo se processa e com os fins, geralmente, abruptos. Tem de haver uma grande maestria do escritor para me encantar, algo que já é complexo de alcançar num só conto, o que fará num livro repleto deles. Apesar da minha dificuldade assumida com os contos, problema meu, acredito, tenho-me forçado a ler mais livros deste género, porque me fascina a arte associada à sua construção. Quero saber mais, quero estar mais ambientada a este mundo dos contos, e tenho a certeza que Gente Melancolicamente Louca foi uma escolha muito acertada.

 

Fiquei deveras fascinada com o talento de Teresa Veiga como contista, embora já suspeitasse que fosse muito boa. Adorei a sua escrita, elaborada e eloquente. Contudo, tal não foi suficiente para me perder de amores pelos vários contos que fui lendo, embora deva realçar que não houve um único que não tenha gostado de todo, o que raramente me acontece com livros de contos. Tal deve-se, sem dúvida, à forte componente feminina ao longo de todo o livro e à escrita irrepreensível de Teresa Veiga.

 

Os meus contos preferidos foram O dia em que Sherlock Holmes foi salvo pelo Capitão Fracasse e Natacha.

Por temperamento sou reservada e pouco sociável, no sentido em que me basto a mim própria e nunca senti necessidade de ter amigas que servissem de confidentes ou meras caixas-de-ressonância dos meus pensamentos e preocupações.

 

Pontuação: 3,5

 

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Estou a ler: Gente Melancolicamente Louca

por Alexandra, em 23.11.16

 

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Os meus últimos dias têm sido muito preenchidos, mas felizmente consegui tirar uns momentos para começar mais um livro para o projecto Ler os Nossos. Desta vez, um livro de Teresa Veiga, também uma estreia nas minhas leituras como Isabela Figueiredo, com um título absolutamente fantástico e magnético que já queria ler há alguns meses, mas que demorou a fazer parte da biblioteca cá de casa.

 

Trata-se de um livro de contos, género literário com o qual tenho uma relação de amor-ódio. Ou me identifico muito pouco com o conto e acaba por me ser indiferente, ou adoro-o de paixão, mas o final deixa-me um sabor agridoce de "não pode ser só isto, preciso de mais". Após ter lido quatro contos, devo confessar que ainda não me apaixonei perdidamente por nenhum, mas tenho de reconhecer que Teresa Veiga escreve magistralmente bem. A sua escrita é bela, majestosa, magnífica, um tesouro para os olhos de qualquer leitor, quero crer. Estou muito curiosa com a leitura dos próximos contos, e desejo sinceramente que pelo menos um me enlouqueça de amor, não fosse eu melancolicamente louca.

 

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Próximas leituras | Encomenda

por Alexandra, em 18.11.16

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Os próximos livros que pretendo ler no mês de Novembro são de José Saramago e Teresa Veiga, para o projecto Ler os Nossos, sendo que com a leitura de Terra do Pecado darei finalmente início ao projecto Ler Saramago, algo que já estava a adiar há bastante tempo. Nunca li nada de Teresa Veiga e tenho muita curiosidade em fazê-lo, especialmente devido a este fantástico título.

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Esta semana recebi uma encomenda com estes quatros livros (e ainda está um em falta), todos de autores que nunca li e que fui vendo repetidas vezes em pesquisas que fiz, na tentativa de chegar a uma lista de livros essenciais, ou de leitura obrigatória (nem sempre estes títulos em concreto, mas destes autores). Gosto muito deste tipo de listas, mas há tanta informação sobre o assunto que em vez de chegarmos a 100 ou 200 livros e pararmos, ficamos com uma lista que ultrapassa largamente este número, dividida entre autores intemporais, autores contemporâneos, autores portugueses, escritoras de leitura obrigatória, e que parece que irá perpetuar-se até chegarmos ao "fim da internet". Enfim, um mar de informação que nos deixa em extâse, afinal é o nosso amor, e em pânico, porque não haverá tempo nem possibilidade (financeira, editorial, etc.) para tudo.

Há cerca de um mês, depois destas pesquisas mais ou menos aleatórias, comecei a fazer um trabalho de investigação baseado no livro 1001 Books You Must Read Before You Die (1001 Livros para Ler Antes de Morrer), baseando-me na lista em inglês, através da qual procurei as edições correspondentes em português, título, editora, escritor, nacionalidade, género, link no goodreads, lido/não lido, na minha biblioteca pessoal ou não. O ideal seria ler todos os livros desta lista, embora sejam imensos e seja coisa para demorar uns bons anos, mas sobretudo alargar o meu conhecimento a nível literário. Há tanta coisa que ainda desconheço.

Penso que tenho sensivelmente um quarto do trabalho feito, mas tenho tido alguma preguiça em adiantá-lo nas últimas semanas. Além de ser um trabalho moroso, torna-se demasiado mecanizado por vezes e não quero que seja uma obrigação. Tem de ser algo para ir fazendo quando tiver vontade, que me dê prazer em descobrir, que me faça enervar por tantos ainda não terem sido editados em Portugal. Espero este fim-de-semana adiantar mais alguns títulos e pode ser que quando acabar nasça aqui um projecto para concretizar até morrer.

 

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Opinião | Uma Ideia da Índia

por Alexandra, em 06.11.16

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Título: Uma Ideia da Índia

Autor: Alberto Moravia

Editora: Tinta-da-China

 

Uma Ideia da Índia foi publicado inicialmente como um conjunto de artigos para o jornal Corriere della Sera, posteriormente reunidos num livro. Em 2008, foi editado em português, nesta edição primorosa da Tinta-da-China (colecção de Viagens).

 

Este livro resultou de uma viagem de um mês e meio, em 1961, na qual Moravia percorreu a Índia. Apesar de ser óbvio que esta visão tem 55 anos, a forma como Moravia expõe vários aspectos da Índia pode considerar-se transversal até aos nossos dias, com algumas mudanças aqui e ali, acredito eu, mas com uma essência muito semelhante à que Moravia testemunhou naquela época. 

Deverias senti-la, lá longe, a oriente, para lá do Mediterrâneo, da Ásia Menor, da Arábia, da Pérsia, do Afeganistão, lá longe, entre o Mar da Arábia e o Oceano Índico, onde está e te aguarda.

 

A pobreza, a religião, a morte e a colonialização são os pontos-chave deste livro, sendo descritos com uma maestria quase próxima da perfeição, de forma bela e dramática, algo a que é impossível ficar indiferente durante a leitura deste livro. A prova disso é que marquei imensas passagens e tive alguma dificuldade em escolhê-las para esta opinião, que já estou a adivinhar que se vá tornar bastante extensa. 

Para o viajante ocidental dotado de sensibilidade, a Índia significa dois traumas: o primeiro é aquele que é provocado pelo encontro com uma pobreza enferma e frenética, de tipo medieval, que no Ocidente desapareceu há alguns séculos; o segundo resulta do choque com a religião politeísta de fundo naturalista, também ela morta na Europa há séculos, e na Índia, pelo contrário, ainda floresce.

A fogueira deverá arder durante quatro horas ou seis, e no final a cinza será espalhada no Ganges (...). Estamos dez minutos ou vinte, ou meia hora, a olhar para aqueles homens e para aquelas mulheres que têm os olhos fixos na fogueira em que arde o seu defunto, e por fim compreendemos que esta indiferença tão estóica não é a da insensibilidade e da frieza, mas sim a da religião, que considera a morte uma simples mudança de vestuário ou de invólucro. Naquela fogueira, de acordo com um frase notória, não se consome uma pessoa única e irrepetível, mas sim um vestido coçado, que já não prestava, uma pele velha que se abandona por outra nova.

 

Para Moravia, os conflitos religiosos entre a religião bramânica e a muçulmana, o sistema social das castas que apesar de, à data da visita de Moravia à Índia, já se encontrarem legalmente abolidas, continuavam a sobreviver por toda a parte, apegadas aos costumes e às tradições indianas, juntamente com a colonialização, especialmente a britânica, criticada em diversos momentos do livro, são os principais focos problemáticos da Índia, e que tornam aquele país tão peculiar.

A diferença entre a religião muçulmana e a bramânica não podia ser maior: a primeira é, a um tempo, ética, social e política; a segunda, cósmica, filosófica e metafísica.

O sistema das castas, pelo contrário, foi provavelmente o único que teve como raiz o princípio da discriminação racial, ou seja, um princípio que negava em absoluto ao homem qualquer possibilidade de desenvolvimento livre e autónomo.

Os colonialismos português, francês e holandês estão ali presentes para testemunhar, com os seus vestígios transitórios, que não se conquista a Índia, isto é, não se transforma a Índia se não nos deixarmos transformar por ela. Por outras palavras, o simples colonialismo não basta, é necessária a simbiose.

 

Em jeito de conclusão, considero que Uma Ideia da Índia deveria ser lido por todos os que procuram saber mais sobre a Índia, para aqueles que sonham um dia ir até lá, e até mesmo para aqueles que à partida não nutrem grande tipo de interesse pela Índia. Provavelmente irão desenvolvê-lo ao longo da leitura deste livro.

A Índia é um continente em que são dignos de interesse, sobretudo, os aspectos humanos. Desse ponto de vista, a Índia é com certeza a nação mais original de toda a Ásia, pelo menos para nós, europeus, que logo tentamos descobrir semelhanças e afinidades que procuraremos em vão na China ou no Japão.

Diríamos mesmo que não se pode compreender por completo a civilização europeia se não se conhecer a Índia. Mas a Índia vista com os olhos do turista ignorante até pode ser uma desilução.

 

Pontuação: 4/5

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Estou a Ler: Uma Ideia da Índia

por Alexandra, em 02.11.16

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Comecei a ler ontem e já tenho uma boa quantidade de anotações que quero muito partilhar. Há já algum tempo que queria ler um livro de viagens e esta edição de capa dura da Tinta-da-China, que faz parte da biblioteca cá de casa, e que já me havia sido recomendada variadíssimas vezes, estava debaixo de olho. Em primeiro lugar, por ser uma edição tão bonita e cuidada, como a Tinta-da-China nos tem habituado sempre (deixo um link para a colecção de Viagens), em segundo, por ser sobre a Índia. É um país tão fértil nos mais variados aspectos que me faz sentir que será impossível que este livro me desiluda. Abaixo deixo dois excertos da introdução.

 

A Europa não é religiosa.

É o quê, a Europa?

(...) Como indiano, dir-te-ia: a Europa, aquele continente onde o homem está convencido de que existe e de que se encontra no centro do mundo, e onde o passado se chama história, e a acção é preferida à contemplação; a Europa onde comummente se crê que a vida vale a pena ser vivida, e onde o sujeito e o objecto convivem em boa harmonia, e duas ilusões como a ciência e a política são levadas a sério e a realidade nada esconde, e no entanto, apesar disso, é nada; o que tem a Europa a ver com a religião?

 

(...) a religião é a gruta de Elephanta, próximo de Bombaim, ao fundo da qual está esculpida em alto-relevo a efígie de Xiva. Esta escultura tem algumas características particulares, graças às quais se pode, com razão, apontá-la como a melhor descrição daquilo a que eu chamo a Índia, ou seja, a religião. (...) É gigantesca, ou seja, ultrapassa a estatura humana; reduz-se apenas à cabeça, ou seja, é obcecante; é multíplice, ou seja, omnipresente. Mas, sobretudo, representa Deus, não como homem, que é o modo europeu de o representar, mas como Deus. (...) Deus é pingue, de meia idade, tem o lábio inferior cheio e pesado, a fronte alta, o queixo gordo, as orelhas grandes. Por outras palavras, a representação de Deus não é idealizada, como na Europa, mas realista.

 

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