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Biblioteca Pessoal | Simone de Beauvoir

por Alexandra, em 20.11.16

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Lidos até ao momento: Mal-entendido em Moscovo

 

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Opinião | Mal-entendido em Moscovo

por Alexandra, em 14.11.16

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Título: Mal-entendido em Moscovo

Autor: Simone de Beauvoir

Editora: Quetzal

 

Mal-entendido em Moscovo é um livro/conto que se lê praticamente de um trago, nem chega às 100 páginas, com uma mensagem bastante interessante e pertinente. Confesso que tinha muita curiosidade quanto à escrita de Simone de Beauvoir mas tive receio de começar com O Segundo Sexo, que comprei de impulso devido à temática. Queria muito desfrutar da sua leitura, pelo que este primeiro contacto com a sua escrita foi vital para que os dois volumes saiam em breve da estante para as minhas mãos, após mais de um ano de espera.

 

Este livro relata a crise conjugal de um casal de meia idade, Nicole e André, durante uma viagem a Moscovo de visita à filha do primeiro casamento de André, Macha. Para além da crise conjugal que nos é apresentada, Simone de Beauvoir explora outras temáticas mais abrangentes, fazendo um relato sobre a União Soviética em meados dos anos 60 e mencionando a condição feminina da geração de Nicole, absorvida pela vida familiar, bem como da geração seguinte, que tudo tenta conciliar, sem de facto aprofundar alguma coisa.

 

A parte que mais me interessou durante a leitura do livro foi de facto a crise conjugal, justaposta ao pensamento e à condição feminina que nos é apresentada. A forma como Beauvoir explora e escreve sobre os sentimentos e pensamentos dos personagens principais, Nicole e André, tocou-me de forma especial, relembrando-me Ferrante, no que toca sobretudo a Nicole. A sua escrita tem um encanto especial quando se debruça sobre as problemáticas femininas.

Nunca imaginara que viria a preocupar-se com o seu peso. E vejam só! Quanto menos se reconhecia no seu corpo, mais se sentia obrigada a tratar dele. Tinha-o a seu cargo e cuidava-o com uma devoção enfastiada, como de um velho amigo caído em desgraça e diminuído que precisava da sua ajuda.

Nunca recuperou desse olhar; deixou de sentir-se conciliada com o seu corpo: era um estranho despojo, uma máscara deplorável. Talvez aquela metamorfose tivesse sido gradual, mas a sua memória condensava-a naquela imagem: dois olhos de veludo que se desviavam dela com indiferença. Desde esse dia, sentiu-se gélida na cama: temos de gostar um pouco de nós próprios para nos deleitarmos nos braços do outro.

 

A mensagem deste conto prende-se sobretudo com a comunicação com o outro, explorada à medida que se descreve a problemática do envelhecimento: o desgaste dos corpos, a renúncia à sexualidade, o abandono dos projectos, a perda de esperança (excerto do prefácio). O facto de me ter identificado com alguns dos problemas relatados ao longo deste livro, apesar de ainda ter menos de 30 anos, contribuiu largamente para a minha opinião positiva, embora sinta um misto de sensações face à dimensão da narrativa. Por um lado, está lá tudo, por outro, poderia ler mais cem páginas sem me importar absolutamente nada.

 

Pontuação: 4

 

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Como já aqui falei, na sequência da minha ida ao Porto tenho vários sítios (livrarias e não só) para mostrar aqui no blogue. Desta vez, num post inteiramente dedicado à Confraria Vermelha - Livraria de Mulheres, a minha preferida das três que lá visitei (podem ver as outras duas aqui).

 

Confraria Vermelha - Livraria de Mulheres (Rua dos Bragas, 32 - Facebook | Site) - trata-se de um projecto feminista de Aida Suárez, que conseguiu tornar este espaço realidade através de uma acção de crowdfounding. Para além da livraria, neste espaço promovem-se workshops, visionamento de filmes, lançamentos de livros e tertúlias. 

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A cereja no topo do bolo é a existência de um clube de leitura mensal (As Leitoras de Pandora | Goodreads) para debater um livro de ficção numa perspectiva feminista, pessoal e colectiva. Como se não bastasse, nos encontros mensais há também petiscos para provar e saborear. Sinceramente, não sei como é que não existem mais espaços como este em todo o país. Fiquei com imensa vontade de ter ou frequentar um espaço semelhante (se houver por aí alguém interessad@, vamos a isso!).

 

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Como este espaço ganhou de imediato um lugar especial no meu coração, fui incapaz de sair de lá sem trazer um livro comigo. A escolha recaíu no Mal-entendido em Moscovo, de Simone de Beauvoir. Desta autora já tenho os dois volumes d'O Segundo Sexo, editado também pela Quetzal, mas que ainda não me aventurei a ler. Assim, pretendo começar por este, mais pequeno, e depois lançar-me aos outros dois. Os livros são-nos entregues nesta embalagem de papel, escrita à mão, e é-nos dado um marcador em madeira. Impossível não ficar encantada.

 

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Se forem ao Porto ou se são de lá (ou perto) e ainda não conhecem esta livraria, passem por lá e espalhem sororidade. Confesso que desconhecia por completo este termo (provavelmente sou uma alma perdida que nunca chegará a feminista), mas gostei muito da sua definição: 

 

sororidade

1. Relação de união, de afeição ou de amizade entre mulheres, semelhante à que idealmente haveria entre irmãs.

2. União de mulheres com o mesmo fim, geralmente de cariz feminista.

 

"sororidade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

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