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#ouçamulheres | Mitski

por Alexandra, em 11.01.17

Quando me apaixono por uma banda, álbum ou música, sou capaz de as ouvir vezes sem conta, até à exaustão. Passado algum tempo, a paixão reduz, fruto de outro encontro com nova banda, álbum ou música, mas, de cada vez que regresso, sinto de imediato que esta apenas estava num estado de latência e os meus neurónios pura e simplesmente deliram com o som que recebem, levando-me por vezes às lágrimas de deslumbramento e saudade. É o que se passa neste momento com Mitski Miyawaki, nascida em 1990, tal como eu, facto que contribui certamente para todo este meu amor. Apesar das nossas vivências totalmente distintas, partilhamos e vivemos sob os mesmos ideais, problemas e esperanças. É incrível a ligação que se pode estabeler com uma melodia, com uma letra, com a música no seu todo.

 

Mitski Miyawaki é uma artista a solo e lançou os seus dois primeiros álbuns sozinha, Lush (2012) e Retired from Sad, New Career in Business (2013), enquando estudava no conservatório de música SUNY Purchase. Mitski nasceu no Japão mas, até se estabelecer em Nova Iorque, onde gravou os seus dois últimos álbuns, Bury Me at Makeout Creek (2014) e Puberty 2 (2016), passou por países como o Congo, Malásia, China e Turquia (entre outros), facto que lhe confere uma identidade multi-cultural única, que se reflecte na música que produz, já que a própria se diz "metade japonesa, metade americana, mas nenhuma por inteiro".

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O álbum Puberty 2, lançado em Junho do ano passado, é o meu preferido e tenho-o ouvido repetidas vezes. Entranhou-se em mim de tal forma, que não consigo passar um dia sem ouvi-lo. Acabei por comprar esta edição especial em vinil e estou deveras rendida a esta miúda. Puberty 2 recebeu uma review de 8,5 e o título de Best New Music pela Pitchfork (podem ler a review aqui) e consta das listas de melhores álbuns de música alternativa/indie de 2016. Abaixo deixo-vos alguns dos meus trechos preferidos, juntamente com o link para a música, adorava que ouvissem o álbum inteiro (tem cerca de 32 minutos), mas aqui já têm uma excelente amostra. Se, mesmo assim, for demasiado, ouçam apenas a última.

 

Oh if you're going, take the train

So I can hear it rumble, one last rumble

And when you go, take this heart

I'll make no more use of it when there's no more you

Happy

Come inside and be with me

Alone with me

Alone

With me alone

If you would let me give you pinky promise kisses

Then I wouldn't have to scream your name atop of every roof in the city of my heart

Once More to See You

One morning this sadness will fossilize

And I will forget how to cry

I'll keep going to work and you won't see a change

Save perhaps a slight gray in my eye

(...)

I will be married to silence

The gentleman won't say a word

But you know, oh you know in the quiet he holds

Runs a river that will never find home

Fireworks

I'm not doing anything

I'm not doing anything

My body's made of crushed little stars

And I'm not doing anything

I wanna see the whole world

I wanna see the whole world

I don't know how I'm gonna pay rent

I wanna see the whole world

My Body's Made of Crushed Little Stars

What do you do with a loving feeling

If the loving feeling makes you all alone?

What do you do with a loving feeling

If they only love you when you're all alone?

Holding hands under the table

Meeting up in your bedroom

Making love to other people

Telling each other it's all good

Kisses like pink cotton candy

Talking to everyone but me

I'm staying up late just in case you come up and ask to leave with me

A Loving Feeling

 

Por fim, a minha preferida do álbum:

If I could, I'd be your little spoon

And kiss your fingers forevermore

But, big spoon, you have so much to do

And I have nothing ahead of me

You're the sun, you've never seen the night

But you hear its song from the morning birds

Well I'm not the moon, I'm not even a star

But awake at night I'll be singing to the birds

 

Don't wait for me, I can't come

 

Your mother wouldn't approve of how my mother raised me

But I do, I think I do

And you're an all-American boy

I guess I couldn't help trying to be your best American girl

Your Best American Girl

 

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Projecto #ouçamulheres

por Alexandra, em 09.01.17

É inegável a influência que movimentos como o #leiamulheres têm tido nas escolhas que tomamos todos os dias, não só a nível literário, como cinematográfico ou musical. Têm-nos tornado curiosos e interessados em sabermos mais sobre o papel do sexo feminino noutra áreas de intervenção como a ciência, a fotografia, etc., pois, felizmente, são cada vez mais comuns os artigos e posts a enaltecer esta presença nos mais variados sectores.

 

Há uns dias decidi que apenas irei ler mulheres durante o mês de Fevereiro, mas pensei também que seria interessante partilhar aqui as minhas escolhas musicais no feminino, já que ultimamente a minha preferência têm recaído quase exclusivamente em bandas femininas ou, pelo menos, com um elemento feminino de referência, Haim, Hinds, Mitski, Florence + The Machine, Wolf Alice (Ellie Rowsell), Angel Olsen, Pega Monstro, Savages, The Kills (Alison Mosshart), Deap Valley, Lana Del Rey, Sonic Youth (Kim Gordon).

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Assim, nos próximos tempos irão aparecer por aqui posts dedicados exclusivamente à presença das mulheres na música. Vão ficar surpreendidos com a qualidade do que se fez e ainda se faz nesta área e creio que a tendência é que o papel da mulher seja cada vez mais importante. O hashtag #ouçamulheres já existia, felizmente, e irei usá-lo para partilhar convosco as minhas escolhas musicais femininas. Há alguma banda/cantora que gostassem de ver por aqui?

 

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Como já aqui falei, na sequência da minha ida ao Porto tenho vários sítios (livrarias e não só) para mostrar aqui no blogue. Desta vez, num post inteiramente dedicado à Confraria Vermelha - Livraria de Mulheres, a minha preferida das três que lá visitei (podem ver as outras duas aqui).

 

Confraria Vermelha - Livraria de Mulheres (Rua dos Bragas, 32 - Facebook | Site) - trata-se de um projecto feminista de Aida Suárez, que conseguiu tornar este espaço realidade através de uma acção de crowdfounding. Para além da livraria, neste espaço promovem-se workshops, visionamento de filmes, lançamentos de livros e tertúlias. 

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A cereja no topo do bolo é a existência de um clube de leitura mensal (As Leitoras de Pandora | Goodreads) para debater um livro de ficção numa perspectiva feminista, pessoal e colectiva. Como se não bastasse, nos encontros mensais há também petiscos para provar e saborear. Sinceramente, não sei como é que não existem mais espaços como este em todo o país. Fiquei com imensa vontade de ter ou frequentar um espaço semelhante (se houver por aí alguém interessad@, vamos a isso!).

 

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Como este espaço ganhou de imediato um lugar especial no meu coração, fui incapaz de sair de lá sem trazer um livro comigo. A escolha recaíu no Mal-entendido em Moscovo, de Simone de Beauvoir. Desta autora já tenho os dois volumes d'O Segundo Sexo, editado também pela Quetzal, mas que ainda não me aventurei a ler. Assim, pretendo começar por este, mais pequeno, e depois lançar-me aos outros dois. Os livros são-nos entregues nesta embalagem de papel, escrita à mão, e é-nos dado um marcador em madeira. Impossível não ficar encantada.

 

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Se forem ao Porto ou se são de lá (ou perto) e ainda não conhecem esta livraria, passem por lá e espalhem sororidade. Confesso que desconhecia por completo este termo (provavelmente sou uma alma perdida que nunca chegará a feminista), mas gostei muito da sua definição: 

 

sororidade

1. Relação de união, de afeição ou de amizade entre mulheres, semelhante à que idealmente haveria entre irmãs.

2. União de mulheres com o mesmo fim, geralmente de cariz feminista.

 

"sororidade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

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