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Filmin | Mustang

por Alexandra, em 23.02.17

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Ainda não tinha tido oportunidade de ver este filme, que esteve nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro em 2016, mas como ficou disponível recentemente na plataforma Filmin aproveitei para colmatar esta falha, uma vez que já tinha ouvido falar maravilhas. Cereja no topo do bolo: realizado por uma mulher, Deniz Gamze Ergüven.

 

Confirma-se, é um filme da maior importância, que nos transporta para o íntimo destas cinco irmãs orfãs que vivem numa pequena vila da Turquia e que, por terem sido vistas a brincar inocentemente numa praia com rapazes, escandalizam os seus guardiões (avó e tio) devido à alegada imoralidade dos seus actos. Tal dá origem a que estas sejam aprisionadas em casa durante o Verão (e daí por diante) e que comecem a ser arranjados os seus casamentos.

 

Apesar da imensa tristeza que este filme nos traz à medida que se vai desenrolando, Mustang é incrivelmente belo, tem uma edição e uma fotografia maravilhosas e faz-nos torcer por estas miúdas até ao fim, em especial por Lale, a mais nova das cinco irmãs. Se ainda não viram, não percam mais tempo.

 

Pontuação: 10/10

 

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Filmin | É na Terra Não é na Lua

por Alexandra, em 03.12.16

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Demorei algum tempo a terminar de ver o filme É na Terra Não é na Lua, de cerca de três horas, sobre a ilha do Corvo. Como açoriana, era um documentário que me interessava ver há algum tempo, pelo que estar disponível no Filmin foi perfeito para finalmente poder concretizar este meu desejo.

 

Fiquei agradavelmente surpreendida e foi emocionante reconhecer traços comuns entre a população açoriana, as expressões, as crenças, as preocupações, mas que naquela pequena ilha se multiplicam em larga escala porque há dificuldades geográficas, tecnológicas e meteorológicas que, conjugando-se, ou não, tornam a vida naquele lugar mais difícil do que o que era suposto nos nossos dias. Apesar disso, não deixam de ser pessoas optimistas, de prosseguir com as suas vidas e com os seus trabalhos mais típicos do campo, que a maior parte da população portuguesa das grandes cidades já não conhece, nem chegará a conhecer. Nesse sentido, parece-me ser um documentário deveras importante de assistir, porque em alguns vai recordar memórias já perdidas mas que se reavivam facilmente e nos deixam os olhos brilhantes de nostalgia, e noutros vão mostrar algo que provavelmente nem sonham que se passa naquele pedaço de terra distante. É importante que se tenha noção das dificuldades que a insularidade pode trazer, em particular, àquela população de menos de 500 pessoas que vivem numa ilha de 6,5km de comprimento por 4km de largura, em pleno Oceano Atlântico.

 

Foram momentos mais que perfeitos (vi o documentário ao longo de vários dias), onde me foram mostrados tranquila e demoradamente a vegetação, o mar, umas vezes escrespado, outras estanhado, a ventania, os nevoeiros e chuvas que parecem intermináveis, as gentes e os seus ofícios, pensamentos e recordações. Os animais, a vila, o Caldeirão.

 

Recomendo imenso, mas têm de ir preparados para a sua demora. Passada a primeira hora, se tanto, vão perceber quão essencial é. Parabéns ao Gonçalo Tocha e à restante equipa por este magnífico trabalho.

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Filmin | Eis o Admirável Mundo em Rede

por Alexandra, em 22.11.16

Este fim-de-semana aderi à Filmin, uma plataforma de video-on-demand dedicada exclusivamente ao cinema clássico, independente, e de autor, que chegou a Portugal, no dia 16 de Novembro. Tem um valor mensal de 6,95€, sendo que até 31 de Dezembro, o segundo mês de subscrição é grátis. Neste momento, tem um catálogo de 500 títulos de cinema independente de todo o mundo. Existem também novidades "premium" que não fazem parte da mensalidade, mas que ao fim de algum tempo ficam disponíveis para visualização sem custos adicionais. É o caso de Eis o Admirável Mundo em Rede, disponível para os subscritores a partir de 1 de Dezembro, que consegui ver sem ter de esperar graças ao passatempo que a Filmin promoveu via facebook, onde podíamos ganhar um código para ver o documentário sem mais demoras. 

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O realizador de Eis o Admirável Mundo em Rede (Lo and Behold, Reveries of the Connected World), Werner Herzog, guia-nos através de uma série de entrevistas e testemunhos pelo maravilhoso mundo da internet. É-nos dado a conhecer os seus primórdios, a sua evolução até aos nossos dias, os problemas que acarreta, o impacto que poderemos sofrer se um dia ficarmos sem ela, e o seu futuro, ligado sobretudo à robótica e à inteligência artificial. Herzog conduz as entrevistas e testemunhos de personalidades ligadas à tecnologia, mas também de pessoas comuns que, por algum motivo, têm algo a dizer sobre este tema, e, embora não fale muito, tem um fantástico sentido de humor. Este documentário é muito interessante, sem ser aborrecido ou demasiado técnico, sendo precioso nos dias de hoje, em que estamos tão ligados às redes sociais e a tudo o que está relacionado com a internet.

Os primórdios e a perspectiva futura da internet foram o que mais cativou neste documentário, assim como o testemunho de Kevin Mitnick, um famoso hacker dos anos 90, mas considero que todas as partes são importantes à sua maneira, formando um todo muito coeso.

Os pontos que considerei mais pertinentes foram quando se falou que a internet pode ser o principal inimigo do pensamento crítico, tendo em conta que dependemos (ou podemos vir a depender) dela para fazer e obter tudo, em vez de termos as nossas próprias ideias, bem como qual o impacto que esta poderá vir a ter nas relações interpessoais se, por exemplo, passarmos a comunicar exclusivamente com a internet (essencialmente através de robots ou inteligência artificial). Recomendo vivamente.

 

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