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Opinião | Jóquei

por Alexandra, em 11.05.17

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Título: Jóquei

Autor: Matilde Campilho

Editora: Tinta-da-China

 

Não fiquei particularmente fascinada com a poesia de Matilde Campilho. Senti muita dificuldade em compreender o que pretende transmitir com o que escreve o que invalida, à partida, uma conexão mais profunda com Jóquei. Ainda assim, gostei bastante de algumas coisas neste livro.

 

Curiosamente, a parte que mais gostei era prosa poética: Notícias escrevinhadas na beira da estrada que começa da seguinte forma: Não sou de choro fácil a não ser quando descubro qualquer coisa muito interessante sobre ácido desoxirribonucleico.

 

Os meus poemas preferidos foram Principado Extinto, demasiado longo para colocar aqui, e o que deixo abaixo:

 

Two-lane blacktop

 

Aprenderei a amar as casas
quando entender que as casas
são feitas de gente
que foi feita por gente
e que contém em si a possibilidade
de fazer gente.

 

Pontuação: 3/5

 

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Opinião | Anunciações

por Alexandra, em 09.05.17

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Título: Anunciações

Autor: Maria Teresa Horta

Editora: Dom Quixote

 

Não sendo o género de poesia que estou habituada a ler, é mais do que evidente a qualidade presente ao longo deste romance escrito em verso, relatando sucessivos encontros entre Maria e o anjo Gabriel, sob uma perspectiva tremendamente interessante.

Anunciações está escrito de uma forma tão cuidada, bela e poética, que se torna impossível não nos envolvermos fortemente com a história que nos é contada e com a poesia de Maria Teresa Horta.

 

Espelho

 

Olho a ausência

da minha
imagem no espelho

 

no seu abismo perverso

 

O nada absoluto
onde a luz
é o excesso

 

Pontuação: 4/5

 

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Título: Como Uma Flor de Plástico Na Montra de Um Talho

Autor: Golgona Anghel

Editora: Assírio & Alvim

 

A escrita de Golgona Anghel aliada às temáticas que aborda deixam-me à beira do delírio porque fico, muitas vezes, cheia de vontade de ter escrito alguns dos seus poemas (a maioria). Quando a leio, transporto-me imediatamente para o interior dos seus poemas, numa busca incessante pelo que está escrito nas suas linhas e entrelinhas. Não sendo o meu preferido dos dois, é quase tão bom como Vim Porque Me Pagavam. Se tiverem oportunidade de ler a poesia de Golgona Anghel não a percam, depois contem-me como foi.

 

TUDO O QUE NÃO É LITERATURA ABORRECE-ME -
queixava-se um checo muito conhecido.
As nossas vidas, aliás, deviam acontecer sempre no futuro,
onde, no fundo, sucedem todos os romances.
O nosso estilo teria a nitidez dos tratados científicos
e a força da descrição de uma batalha -
embora os críticos tentassem
transformar tudo isto num relatório criminal
ou no argumento para um filme de Domingo à tarde.
O Eduardo Prado Coelho era capaz de fazer isso.

Mas é preciso fugir ao máximo dos museus de cera,
perseguir os funcionários públicos do senso comum,
evitar que as mulheres feias tenham filhos.
Aliás, é urgente matar toda a gente que tem fome.
Por isso, não me venhas com xaropes e bancos alimentares.
Não me trates as doenças.
Não me levantes a mão.
Vem, vem apenas,
come as you are
- embora seja tarde.

Vem para esta sala de baile com portas cheias de musgo
e vozes molhadas em tabaco.
Vem passar uma noite nos seus cantos húmidos
onde coronéis e generais
levantavam as saias à história.

Já tirámos os cavalos,
já limpámos as trincheiras.

Vem ralar na minha pele arrepiada
a cor pálida da lua
como se fosse a casca de um limão.

Vem sem falta -
o palco está vazio,
a sala cheia.
Com o passo lento das derrotas,
um macaco vestido de Shakespeare
conduzir-te-á até ao último acto.

 

Pontuação: 4

 

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Opinião | Vim Porque Me Pagavam

por Alexandra, em 25.04.17

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 Título: Vim Porque Me Pagavam

Autor: Golgona Anghel

Editora: Mariposa Azual

 

Golgona Anghel é uma das minhas poetisas preferidas e devo confessar que, tendo relido ambos os seus livros de poesia, já estou a ressacar por mais um livro seu. É incrível como uma mulher nascida na Roménia escreve tão bem em português, recomendo vivamente.

 

Na sala de leitura da insónia,
quando o carro do lixo é
a única resposta ao silêncio
e cada instante é um amante
que matamos num abrir e fechar de pernas,
acompanho em eco, até à estação,
os passos apressados das empregadas de limpeza.
Para elas, não há inferno. Simplesmente,
evitam sonhar.
Para nós, o autocarro 738 irá sempre ao Calvário,
mesmo se pago o bilhete.

No horizonte lento mas seguro de uma utopia light,
passo o dia a vender o meu terceiro mundo
em colóquios e palestras internacionais.
Mostro a toda a gente o canino de ouro,
a minha pele de girafa,
a bibliografia em francês.

Escrevo a palavra vazio
depois da palavra espera.

Pouso as mãos sobre os joelhos cansados.

Limpa
mas mal vestida
- olhai -
sou o novo modelo para o fracasso.

 

Pontuação: 5

 

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Títulos: Curso Intensivo de Jardinagem e Sorte de Principiante

Autor: Margarida Ferra

Editora: & etc

 

As minhas opiniões sobre livros de poesia resumem-se, na maioria das vezes, a simplesmente transcrever um ou alguns dos meus poemas preferidos. Já tinha lido estes dois livros de Margarida Ferra há alguns anos atrás e relê-los foi uma experiência muito agradável. Não entram para os preferidos da vida porque não me deixam o coração a palpitar de emoção, mas há alguns poemas que andam muito perto disso. Ficam os meus preferidos abaixo, por ordem.

 

Sala da frente

Do sofá ainda tão gasto

entre as duas portas,

agora parecem mais:

todos no chão da sala,

volumes em resma,

tamanhos variáveis,

desalinhados,

no lugar dos tacos regulares,

escondem-nos.

 

Os livros todos, o chão da sala,

pequenas torres impressas,

legos impossíveis:

os que foram

desconhecidos nesta morada,

as dádivas secretas,

o sítio das palavras que não regressaram.

No canto superior direito,

o índice dos teus dedos,

a tua sombra em tantas páginas.

 

Morada

Habitamos

uma casa quando

a sombra dos nossos gestos

fica mesmo depois

de fecharmos a porta.

 

Pontuação: 3

 

*

 

7.

Alimentar animais:

estender a mão aos pássaros,
passar incólume pelas pessoas

ainda alguém que pouse
para o nosso cuidado gratuito
sem alergias, nojo ou lágrimas.

 

20. Não te iludas

Não te iludas, não te desiludas,
não há ninguém do outro lado
da linha, não precisas de bateria
para te ligarem,
nunca serás tu a pagar rodadas,
és invisível e não vale a pena
tentares gostar de vinho.
Não te iludas,
nada te tenta como uma romã antes
do tempo delas, frésias em dezembro
podem ser comoventes
mas não são frésias ou não é dezembro,
ninguém tas estende.
Se arrancam pétalas dos cabelos das crianças,
não são tuas. Não te iludas,
acende a luz. 

 

Pontuação: 3

 

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Março | TBR

por Alexandra, em 02.03.17
O mês de Março está intimamente associado ao universo feminino, existem muitas iniciativas e projectos interessantes e necessários, a prova disso são iniciativas como o Março Feminino, da Sandra, que aproveito para destacar. Para além do Dia Internacional da Mulher (8 de Março), neste mês celebra-se também o Dia Mundial da Poesia (21 de Março). Desta forma, penso que nada melhor do que um projecto literário para o mês de Março que associe mulheres e poesia: #lerpoetisas.
 
Inicialmente tinha pensado em ler apenas poetisas portuguesas, mas, entretanto, deparei-me com cinco livros em pdf de autoras brasileiras e decidi incluí-los também. Uma vez que a maior parte dos livros são pequeninos, julgo que será um mês produtivo. Deixo-vos a minha TBR "física" para o mês de Março, onde pretendo ler dois livros que transitam directamente da TBR de Fevereiro: O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e Manual para Mulheres de Limpeza, de Lucia Berlin, sendo que os restantes são apenas poesia no feminino.
 

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Golgona Anghel (n. 1979), nasceu na Roménia, mas vive há vários anos em Portugal. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (2003) e doutorada em Literatura Portuguesa Contemporânea (2009).

Vim porque me pagavam (2011)
Como uma flor de plástico na montra de um talho (2013)
 
Claúdia R. Sampaio (n. 1981), dedicou-se ao ballet, ao teatro, à pintura, ao cinema e à escrita de ficção para TV, sendo a poesia a sua forma preferida de comunicação
Ver no Escuro (2016)
 
Adília Lopes (n. 1960), poetisa, cronista e tradutora portuguesa.
Manhã (2015)
 
Maria Teresa Horta (n. 1937), escritora e jornalista conhecida como uma das mais destacadas feministas portuguesas, estreou-se no campo da poesia em 1960.
Anunciações (2016)
 
Margarida Ferra (n. 1977), trabalhou numa pizzaria, num jornal, numa galeria de arte contemporânea, em duas livrarias e foi responsável pela comunicação da Quetzal Editores e, mais tarde, do Grupo BertrandCírculo.
Curso Intensivo de Jardinagem (2010)
Sorte de Principiante (2013)
 
Ebooks:
 
Martha Medeiros (n. 1961), publicitária, jornalista, escritora e poeta brasileira. A sua obra compreende poesia, crónicas, romance e contos.
Poesia Reunida (1998)
 
Hilda Hilst (1930-2004), poetisa, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. É considerada como uma das mais importantes vozes da língua portuguesa do século XX.
Baladas (compilação de três livros de poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira(1951) e Balada do festival (1955)
 
Adélia Prado (n. 1934), professora formada em Filosofia, poetisa e contista brasileira ligada ao Modernismo.
O Coração Disparado (1978)
 
Bruna Beber (n. 1984), poetisa e escritora brasileira que colaborou durante os anos 2000 com diversos sites e revistas impressas de literatura, poesia e música.
Rua da Padaria (2013)
 
Angélica Freitas (n. 1973), poetisa e tradutora brasileira, formada em jornalismo.
um útero é do tamanho de um punho (2012)​
 

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Opinião | A Miúda da Banda

por Alexandra, em 28.02.17

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Título: A Miúda da Banda

Autor: Kim Gordon

Editora: Bertrand

 

Há muito tempo que desejava ler A Miúda da Banda pelos mais variados motivos, dos quais se destacam o meu gosto por Sonic Youth e o facto de tratar-se de um livro de não-ficção escrito por uma mulher, Kim Gordon, na condição de pioneira entre as mulheres do rock, mas que é muito mais do que isso.

 

No meu íntimo já suspeitava que ia gostar bastante deste livro, mas depois de começar a lê-lo tive a certeza. Adorei a estrutura e organização do livro, a forma intimista, aberta e transparente com que Kim aborda os mais variados assuntos, alguns sensíveis, outros nem tanto, mas nenhum desnecessário, e as fotos, maravilhosas.

 

Estava a ler, na altura, um livro chamado "Mother Daughter Revolution", sobre a primeira onda de feminismo dos anos setenta. O livro foca-se no facto de o feminismo não conseguir tratar a relação entre mães e filhas por causa da ênfase na fuga do lar. Não o terminei - quem é que consegue ter tempo ou energia quando acabou de se tornar mãe? - mas lembro-me de o livro falar da pressão de se ser perfeito e agradável para toda a gente que se abate sobre as mulheres, pressão essa que acaba por ser projectada nas suas filhas. Nunca são suficientemente boas. Nenhuma mulher consegue ultrapassar aquilo que tem de fazer. Não é possível ser-se tudo: uma mãe, uma boa parceira, uma amante e, simultaneamente, uma participante local de trabalho. "Little Trouble Girl" é sobre o querer ser-se visto pela pessoa que se é realmente, sobre ser-se capaz de expressar essas partes de nós mesmas as que não são de "boa menina", mas que são, também, reais e verdadeiras.

 

Pontuação: 4

 

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Opinião | Em nome da filha

por Alexandra, em 27.02.17

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Título: Em nome da filha

Autor: Carla Maia de Almeida

Editora: Fundação Manuel dos Santos

 

Pouco tempo depois de ter visto a referência da Cláudia a este livro, encontrei-o quando estava na caixa do Pingo Doce e decidi trazê-lo comigo para casa, afinal, era tão barato, escrito por uma mulher e com um tema tão relevante que se tornou impossível resistir.

 

Em nome da filha trata-se de uma reportagem com pouco mais do que cem páginas que inclui o testemunho de várias mulheres vítimas de violência doméstica, sob as mais variadas formas e feitios. Entre relatos, opiniões de profissionais e factos numéricos, é-nos mostrada a realidade em que consiste este desastre humano, que parece estar cada vez mais presente nos dias de hoje e que, apesar das medidas que vão sendo tomadas e das acções de sensibilização cada vez mais frequentes, ainda é muito longo o tempo médio em que a vítima é subjugada ao comportamento do abusador. Apesar deste livro incluir apenas testemunhos de vítimas femininas, este não é um livro contra os homens, foi simplesmente o prisma que esta jornalista decidiu escolher para escrever sobre este assunto. Recomendo vivamente.

 

Pontuação: 4

 

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Opinião | Ensaios sobre Fotografia

por Alexandra, em 15.02.17

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Título: Ensaios sobre Fotografia

Autor: Susan Sontag

Editora: Quetzal Editores

 

Este livro de ensaios sobre fotografia de Susan Sontag é essencial aos amantes de fotografia. O primeiro ensaio - Na caverna de Platão - é deveras fascinante, essencialmente, porque já foi escrito há mais de 40 anos (1973), e permanece tão actual. Este ensaio deixou-me com imensa pena de não haver um ensaio mais recente neste livro, por exemplo, do início dos anos 2000 (Susan Sontag morreu em 2004).

A fotografia, mais recentemente, transformou-se num divertimento quase tão praticado como o sexo e a dança, o que significa que, como todas as formas de arte de massas, a fotografia não é praticada pela maioria das pessoas como arte. É sobretudo um rito social, uma defesa contra a ansiedade e um instrumento de poder.

Pela primeira vez na história, um largo sector da população sai regularmente do seu meio habitual por curtos períodos de tempo. E parece bem pouco natural passear sem levar uma câmera fotográfica. A fotografia será sempre a prova indiscutível de que a viagem foi feita, de que o programa se cumpriu e de que as pessoas se divertiram.

Nesta comédia que é o safari ecológico, as armas metamorfosearam-se em câmeras, porque a natureza deixou de ser o que sempre foi: aquilo de que o homem tinha de se proteger. Agora a natureza - subjugada, ameaçada, em perigo de extinção - necessita de ser protegida das pessoas. Quando sentimos medo disparamos. Mas quando nos sentimos nostálgicos, tiramos fotografias.

 

A partir do primeiro ensaio, foi difícil manter o ritmo de leitura, o livro tornou-se um pouco mais técnico e, para mim, mais aborrecido. Acredito que, para algumas pessoas, os ensaios em que se fala da ameaça que a fotografia foi, nos primeiros tempos, para a pintura, da justaposição de pensamentos de filósofos, pintores e fotógrafos, seja tremendamente interessante, mas para o leitor comum, acaba por tornar-se um tanto ou quanto repetitivo e cansativo quando chegamos a meio do livro.

 

Ainda assim, este livro deixou-me com uma imensa vontade de fotografar e de aprender mais sobre fotografia, e com um interesse enorme por esta intelectual norte-americana que foi professora universitária, activista na defesa dos direitos das mulheres e dos direitos dos humanos em geral, ficcionista e ensaista. Espero ler, muito em breve, Renascer, o primeiro de três volumes de diários e apontamentos de Susan Sontag.

 

Pontuação: 3

 

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Fevereiro | TBR

por Alexandra, em 01.02.17

Fevereiro será dedicado ao #leiamulheres, com a presença especial de Proust. Penso que nenhuma das senhoras se importaria.

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Ensaios sobre Fotografia, de Susan Sontag Reúne um conjunto de textos onde Susan examina questões estéticas e morais associadas à presença e ao poder da imagem fotografada nas nossas vidas.

 

A Miúda da Banda, de Kim Gordon Membro fundador da icónica banda Sonic Youth, de que tanto gosto, Kim Gordon conta a sua história em pouco mais de 300 páginas, falando-nos sobre a sua vida, na condição de pioneira entre as mulheres do rock (vai ser um dois em um com o projecto #ouçamulheres), focada na música, no casamento, na maternidade e na independência.

 

Manual de mulheres de limpeza, Lucia Berlin Estive meses com este livro debaixo de olho, ansiosa para o ler. Veio, finalmente, parar-me às mãos no Natal passado. Reúne várias histórias de mulheres como Lucia, contadas de forma crua, umas vezes com humor, outras com melancolia, mas sempre de forma viva e extraordinariamente real.

 

O Segundo Sexo (volume 1), Simone de Beauvoir Este já habitava na minha estante há algum tempo e esteve sempre em fila de espera. É com muito alegria que finalmente lhe vou pegar e espero sinceramente aprender muito com esta obra essencial do feminismo e dos estudos de género.

 

Fevereiro é um mês pequeno e sei que, dificilmente, vou conseguir terminar estes 5 livros, mas estou muito entusiasmada. Vamos a isto!

 

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