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Título: A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num bar

Autor: Ricardo Araújo Pereira

Editora: Tinta-da-China

 

Este é um livro de leitura obrigatória para quem se interessa pelo humor em geral e pela escrita humorística em particular. Não nos ensina a escrever de forma humorística, nem nos faz rir, algo que geralmente esperamos de Ricardo Araújo Pereira. O sentido de humor que lhe é (ou assim parece ser) inato está lá, sente-se por vezes, mas não foi para isso que este livro foi escrito.

 

É uma espécie de enciclopédia sobre o humor, sobre as várias formas de o fazer, com imensos exemplos clássicos e contemporâneos, não só presentes em livros como também em séries televisivas, por exemplo. Peca por ser demasiado curto, apesar de conter o essencial, parece-nos que fica muito por dizer. Não sei se Ricardo Araújo Pereira quis ser o mais objectivo e menos aborrecido possível, mas deveria saber que a maioria de nós não se importaria nada de ler duzentas ou trezentas páginas sobre o que tem para partilhar connosco acerca deste tema.

 

Pontuação: 3

 

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Opinião | A Vida no Campo

por Alexandra, em 23.01.17

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Título: A Vida no Campo

Autor: Joel Neto

Editora: Marcador

 

A minha curiosidade a respeito de Joel Neto, nascido na ilha Terceira, iniciou-se mal comecei a ler críticas maravilhosas sobre o seu romance Arquipélago e, mais tarde, também sobre A Vida no Campo. Claro que as minhas artérias, veias e capilares açorianos começaram logo a pulsar a um ritmo alucinante face à possibilidade de me reencontrar no que Joel Neto passava para o papel. Ainda não tendo lido Arquipélago, mas terminada a leitura de A Vida no Campo, sei que comecei pela obra certa. Esta foi a abordagem ideal à escrita de Joel Neto, que tanto me fez recordar e emocionar.

 

Ao longo de quatro estações, Outono, Inverno, Primavera e Verão, Joel Neto mostra-nos como foi regressar à ilha onde nasceu e à casa onde passou os primeiros anos da sua vida, até vir estudar para Lisboa, embora, na altura em que começa este livro-diário, Joel já se encontre há cerca de dois anos a viver na ilha Terceira com a mulher Catarina, o cão Melville e, mais tarde, a cadela Jasmim.

Tinha acabado de chegar, ao fim de duas décadas de viagem. Nunca deixara de comer alcatra (...) mas comê-la na cozinha da infância, servida desta vez não a um filho de visita mas a um filho regressado, foi como começar de novo. Sabia-me a terramotos e a redenção.

 

Em A Vida no Campo fazemos uma visita à infância, adolescência e início da vida adulta do escritor, ao mesmo tempo que nos são relatados episódios do seu dia-a-dia, essencialmente no Lugar dos Dois Caminhos, na Terra Chã, e as relações que mantém com as gentes da terra. Gostei especialmente dos relatos da magnífica relação que teve com o seu avô açoriano (muito especial para mim, que não cheguei a conhecer o meu). Dei por mim, diversas vezes, a deixar cair umas lágrimas aqui, outras acolá, perante a magnífica experiência que Joel Neto me proporcionou ao regressar a uma ilha que não a minha, mas, no fundo, à terra onde pertenci e com a qual me sentia profundamente desligada. 

Na cidade, receber o carteiro é um incómodo. Uma pessoa tem de levantar-se da cadeira, para abrir a porta, e já é uma maçada. Aqui há sempre uma espera, uma suspensão no tempo - uma expectativa. Fazem-se conjecturas sobre a hora em que o carteiro chegará. Cultivam-se sonhos quanto ao dia em que trará a encomenda. Eu vejo nisso uma beleza.

 

Uma casa na aldeia está sempre em obras porque está sempre em risco. A natureza vem por ela dentro. A hera trepa as paredes. O bicho-sapateiro invade-a por baixo das portas. A humidade e o caruncho corroem-na devagar, para mais nestas ilhas. Uma casa na aldeia está sempre em obras porque essa é a sua maneira de sobreviver. A nossa. Habitamos um território de fronteira, e há poucas coisas tão viciantes como essa.

 

Não é que às vezes não haja estragos. Mas, como sempre, este povo acordará no dia seguinte e olhará para o que estiver desabado e reconstruirá aquilo que tiver de ser reconstruído e cozinhará uma alcatra para o jantar, que comerá a rir.

 

Achando de antemão que os açorianos irão ligar-se como ninguém a A Vida no Campo (sem qualquer pretensiosismo, só um bocadinho, vá), acredito que qualquer pessoa que já tenha tido algum contacto com a vida rural e/ou insular se irá agarrar com força a este livro e guardá-lo com carinho durante muito e muito tempo. Os restantes, bem, esses ficarão com vontade de ter contacto com a vida no campo o mais brevemente possível.

 

Pontuação: 5

 

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Opinião | Caviar é uma ova

por Alexandra, em 17.01.17

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Título: Caviar é uma ova

Autor: Gregorio Duvivier

Editora: Tinta-da-China

 

Este pequeno livro de crónicas de Gregorio Duvivier foi uma excelente escolha para o início de 2017 e um óptimo impulso para, finalmente, começar a ver de forma assídua a Porta dos Fundos.

 

As suas crónicas estão carregadas de um sentido de humor excepcional, enquanto nos conduzem por temas actuais, direccionados, sobretudo, para a situação política brasileira (fiquei com pena de não estar mais informada sobre a mesma, de modo a perceber certas piadas), mas são também sobre situações caricatas do quotidiano e aspectos mais pessoais da sua vida, sempre descritos com muita piada. Foi-me impossível não rir durante a maioria das crónicas, uma vez que Gregorio tem o sentido de humor que mais aprecio, consegue fazer uma piada de uma coisa perfeitamente banal, consegue apontar defeitos e fazer duras críticas sociais de forma leve, descontraída, fazendo-nos rir de nós próprios, por vezes. Recomendo vivamente.

 

O estranho é que, independentemente da sua orientação em relação à carne, não há quem não concorde que o vegetarianismo seria melhor para o mundo, seja do ponto de vista dos animais, ou do meio ambiente, ou da saúde, ou de tudo junto. O problema é exatamente esse: alguém fazendo alguma coisa lembra a gente de que a gente não está fazendo nada. Quando o vizinho separa o lixo, você se sente mal por não separar. A solução? Xingar o vizinho, esse hipócrita que separa o lixo, mas fuma cigarro. Assim é fácil, vizinho.

Quem não faz nada para mudar o mundo está sempre muito empenhado em provar que a pessoa que faz alguma coisa está errada - melhor seria se usasse essa energia para tentar mudar, de fato, alguma coisa. Como diria a minha avó: não quer ajuda, não atrapalha.

 

Pontuação: 3,5

 

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Opinião | Terra do Pecado

por Alexandra, em 16.01.17

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Título: Terra do Pecado

Autor: José Saramago

Editora: Porto Editora

 

A leitura de Terra do Pecado foi uma extraordinária surpresa, para mim, que não esperava muito de um livro escrito por alguém de 25 anos. Embora fosse escrito por José Saramago, o meu adorado Saramago, estava perfeitamente tranquila face à hipótese deste livro estar a anos-luz daquilo que mais gosto e aprecio na sua escrita. Não podia estar mais enganada. A sua estrutura não é tão rígida e característica como aquela a que estamos habituados a ler, contudo, é impossível não notar a essência de Saramago. Posso desde já avançar que lhe falta a originalidade que tão frequentemente lhe apontamos, que é impossível não notar que colocou nele um cuidado extremo (que alguns poderão considerar forçado), tentando aproximar-se de uma escrita clássica, pouco inovadora, contudo, não consegui deixar de me apegar muito a este livro.

 

Terra do Pecado tocou-me de uma forma muito especial e nem consigo bem descrever o porquê de tal ter acontecido. Apesar de não me rever na situação por que passa Maria Leonor, foi-me impossível não estabelecer uma forte ligação com ela, mesmo nos momentos em que me incomodavam certas atitudes. Era como se Maria Leonor fosse aquela amiga a quem compreendemos e perdoamos tudo, sem levantar questões, sem julgar, sem deixar de a amar. 

 

Não quero adiantar pormenores nem tecer considerações acerca do enredo para além do básico. Maria Leonor fica viúva poucas páginas depois do início do livro e tudo o que se segue, os enredos familiares e sociais, as discussões existenciais com o doutor Viegas e a esplêndida descrição de pequenos episódios da infância, que nos chegam através dos filhos de Maria Leonor, é extraordinariamente bem conjugado pelo mestre Saramago, tão novo e tão talentoso. Leiam. Leiam sem saber grande coisa sobre este livro, sem grandes expectativas, e talvez saiam tão surpreendidos quanto eu. 

As ideias que fazemos de Deus, do homem e da própria ideia são, apenas, imperfeitas compreensões do que será a Verdade, se é que, por fim, a Verdade não é totalmente diferente. (...) Apesar de todas estas dúvidas, todos nós, no fundo do nosso ser, cremos em alguma coisa. O próprio doutor Viegas, com tudo o que diz e faz, crê. Cremos justamente porque não sabemos e é esta constante ignorância que mantém a fé, qualquer que ela seja. A Verdade pode ser tão horrível que, se fosse conhecida, talvez destruísse todas as crenças e fizesse do Mundo um grande manicómio. (...)

 

Pontuação: 4

 

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Estou a ler: Terra do Pecado

por Alexandra, em 06.01.17

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Ler Terra do Pecado, o primeiro romance publicado por José Saramago em 1947, é uma experiência deveras interessante para quem conhece a escrita típica do autor, pois este livro é bastante diferente em termos de estrutura. Não é tão rígida e característica como nos seus romances mais icónicos, contudo, é impossível não notar a essência de Saramago. É ainda ténue, como se estivesse a brotar a cada parágrafo, mas evidente, sobretudo aos olhos mais atentos que começam a procurar inconscientemente (ou não) pontos de contacto.
 
A história é interessante e, ao fim de mais de 100 páginas lidas, estou curiosa para saber que rumo vai tomar e qual o seu desfecho. Gosto particularmente da personagem principal, Maria Leonor, que fica viúva, poucas páginas depois do início do livro, e se vê a braços com um doença que quase a consome, graças ao desgosto, mas que consegue ultrapassar. A forma como Maria Leonor se ergue após a doença e o desgosto, embora o segundo ainda esteja sempre muito presente, parece deixar desconfortáveis e intrigados todos os que a rodeiam, fazendo juízos de valor entre si, pelo que se nota claramente que Saramago pretendeu explorar o preconceito tipicamente associado às viúvas e fazer uma crítica à sociedade. Está a ser muito bom regressar a Saramago e conhecer as suas raízes enquanto escritor.
 

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Janeiro | TBR

por Alexandra, em 04.01.17

Para começar o ano a organizar melhor o meu tempo, planeando bem o que quero fazer, decidi escolher os livros que pretendo ler em Janeiro. Estou curiosa para ver como vai resultar porque, geralmente, acabo sempre por não ler o que tinha pensado inicialmente. Desta vez vou fazer um esforço extra para me manter focada no que aqui tenho, até porque são livros que quero mesmo ler, quase todos adquiridos no Natal (de mim para mim).

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Terra do Pecado, de José Saramago É a minha leitura actual e vou escrever um post com as primeiras impressões muito em breve. Está a ser uma experiência deveras interessante, são tantas as diferenças entre este primeiro romance e outros que já li do autor.

 

Do Lado de Swann (Vol. 1 de Em Busca do Tempo Perdido), de Marcel Proust É um dos meus projectos para 2017, ler os 7 volumes desta obra incontornável da literatura. Estou muito curiosa, embora com algum receio de ainda não ter maturidade suficiente para o ler. Alguém interessado em partilhar esta jornada? Já estou mentalizada para a fazer de forma solitária, mas com companhia seria, de certeza, mais interessante.

 

Caviar é uma ova, de Gregorio Duvivier Comprei na venda de Natal da Tinta-da-China, mas já queria lê-lo há muito. Tenho grandes expectativas para este livro, espero adorá-lo.

 

A vida no campo, de Joel Neto Precisava urgentemente de ler Joel Neto, não só pelas excelentes críticas que tenho lido em todo o lado, mas sobretudo porque sou açoriana e tenho a certeza que vai ser maravilhoso.

 

Harry Potter e a criança amaldiçoada, de J. K. Rowling Depois de ter visto Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los no cinema, não podia esperar muito mais tempo para mergulhar de novo neste mundo mágico maravilhoso.

 

As Delícias de Ella (Todos os Dias), de Ella Woodward Criar e manter novos hábitos alimentares pode ser uma tarefa árdua quando já não sabemos o que cozinhar ou quando começamos a ficar fartos de comer sempre as mesmas coisas. Este livro vai ser uma companhia excelente, não apenas em Janeiro, mas durante muito tempo, especialmente porque vou tentar passar 30 dias de Janeiro (comecei apenas no dia 2) sem comer carne.

 

Já leram algum destes livros? O que acharam?

 

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Planos para 2017

por Alexandra, em 31.12.16

 

Há uma certa obrigação social em definir metas para o ano novo que está mesmo, mesmo à nossa porta, aliás, por esta altura, já falta pouco para ser 2017 no outro lado do mundo e eu ainda estou aqui meia indecisa nas minhas escolhas. Ora bem, para além da parte cultural, preciso dedicar-me seriamente à minha alimentação e, consequentemente, à minha saúde. Exercício físico já pratico com regularidade, mas no que toca à alimentação estou muito aquém do que é considerado saudável. Preciso dedicar-me seriamente a isto em 2017, procurar novas receitas, ir a mercados e supermercados ditos saudáveis, comprar mais produtos biológicos, comer mais alimentos de verdade e comer menos carne. O meu objectivo principal para o próximo ano é, sem dúvida, comer melhor.

 

Fazendo jus à expressão: mente sã em corpo são, a parte intelectual não pode ficar esquecida no ano que se avizinha, pelo que tenho de obrigar-me, forçosamente, a ser mais organizada. Planear os meus dias, as minhas semanas, os fins-de-semana e os meses. O que por vezes me parece uma chatice dos diabos (planear), irá, decerto, fazer-me poupar tempo precioso que pode ser dedicado a actividades maravilhosas como ler, ver filmes e séries. Preciso de passar menos tempo nas redes sociais e gerir melhor o meu tempo durante a semana e, sobretudo, ao fim-de-semana. É frequente sentir-me muito deprimida com a velocidade com que as horas passam e com a minha incapacidade para torná-las produtivas. Qualquer coisa que esteja a fazer parece que está a roubar tempo a outra mais importante e torna-se complicado desfrutar daquilo que estou a fazer se estou constantemente a lamentar-me. Mais do que ler mais e melhor, ver mais filmes e séries, preciso de me focar no que quero realmente fazer e aproveitar cada momento para fazê-lo, chega de prevaricar! Planear e cumprir são as palavras de ordem para 2017.

 

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Por fim, resta-me desejar que ao longo de 2017 possa sempre partilhar convosco algo de útil, através do Gira-Livros. Quero muito continuar por cá e dedicar-me ao blog. Que 2017 seja maravilhoso para todos os que chegaram até ao fim deste post e todas essas coisas clichés que se costumam desejar e para as quais não tenho o mínimo talento.

 

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Opinião | Deixa Lá

por Alexandra, em 30.12.16

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Título: Deixa Lá

Autor: Edward St. Aubyn

Editora: Sextante

 

A segunda e, infelizmente, última leitura (pensei que iria ter um período natalício mais descansado, mas foi exactamente o oposto) para a Maratona Literária Fusão foi Deixa Lá, de Edward St. Aubyn, para a categoria O Natal é das crianças. Um livro com uma criança/adolescente como protagonista. Curiosamente, a maior parte deste livro nem é dedicada a Patrick Melrose, de cinco anos.

 

Deixa Lá, a primeira parte deste quinteto sabe a pouco. Só ao fim de 70 páginas é que acontece algo que nos chama a atenção e serve de mote para continuar a lê-lo, terminando na página 134. Serve, sobretudo, para introduzir os personagens que, provavelmente, estarão presentes nesta série de 5 livros, mostrando-nos de forma irónica, mordaz e, por vezes, bastante subtil, as suas características e peculiaridades.

 

Os diálogos do penúltimo capítulo são muito bons e toda a descrição do que se passa ao longo de um jantar transporta-nos automaticamente para aquele espaço, fazendo-nos sentir embaraçados e desconfortáveis ao longo de 26 páginas magnificamente conduzidas. Ainda é cedo para perceber o potencial do quinteto de Edward St. Aubin, mas a parte final deixou-me interessada o suficiente para ler, pelo menos, Más Novas.

 

Pontuação: 3

 

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Opinião | Mulherzinhas

por Alexandra, em 26.12.16

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Título: Mulherzinhas

Autor: Louisa May Alcott

Editora: Guerra e Paz

 

Após a leitura de Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, senti um misto de sentimentos: fiquei com imensa pena de não o ter lido na minha juventude, já que tem várias mensagens importantes e que se adaptam a diversos tipos de personalidades, no entanto, senti que, apesar dos meus 26 anos, consegui captar a essência do livro e que este me tocou de uma forma especial, pois identifiquei-me bastante com a Jo (Josephine March), considerada um alter ego da autora. 

 

Mulherzinhas acompanha a vida de quatro irmãs, ao longo de pouco mais de um ano, numa época conturbada das suas vidas, em que o pai partiu para a guerra. O desenvolvimento das suas personalidades e modos de ver a vida são notórios e torna-se impossível não ficarmos felizes pelas suas conquistas e aflitos com os seus problemas. Apesar de ser perfeitamente claro que o livro se destina a um público mais jovem, é inegável a qualidade da escrita de Louisa May Alcott e a importância deste livro neste tipo de público. O único ponto negativo que consigo assinalar neste livro é o final, que achei demasiado rápido. No entanto, ainda temos Boas Esposas para acompanhar as próximas aventuras da família March, em mais uma edição espectacular da Guerra e Paz, quem sabe para ler em Dezembro do próximo ano.

 

Pontuação: 4

 

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Opinião | Macbeth

por Alexandra, em 19.12.16

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Título: Macbeth

Autor: William Shakespeare

Editora: Relógio D'Água

 

A primeira leitura da Maratona Literária Fusão foi Macbeth, de William Shakespeare, para a categoria: O ano está a acabar. Aquele livro que andas a dizer desde o ano passado que precisas de ler urgentemente.

 

Gostava de só classificar Macbeth após ter lido as principais tragédias de Shakespeare: O Rei Lear, Otelo, HamletRomeu e Julieta (releitura) e Ricardo III, no entanto, vou adiantar-me com quatro estrelas porque julgo que nenhuma destas obras será merecedora de menor classificação e porque acredito que pelo menos uma das tragédias me irá arrebatar mais do que Macbeth.

 

Macbeth peca, na minha opinião, por toda a acção ocorrer muito rapidamente, atirando-nos, num piscar de olhos, até ao final, demasiado breve. Contudo, não posso deixar de admirar a perícia de Shakespeare na construção de um magnífico conflito interior, na pessoa de Macbeth, inicialmente, íntegro, mas que se torna desmedidamente ambicioso devido a uma profecia que o arrasta até à loucura, impelido não só devido a esta, mas sobretudo pela influência de Lady Macbeth, numa sequência de actos violentos conduzidos pela ganância de ser Rei e pelo desespero de manter este título, não olhando a meios para atingir os fins.

 

Escrito entre 1605-06, permanece tremendamente actual, na medida em que a humanidade continua a viver numa sequência de actos desmedidos, ambiciosos e de uma ganância abissal que, na maioria das vezes, senão sempre, termina de forma trágica. Recomendo vivamente.

 

Pontuação: 4

 

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