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Cinema | Elle

por Alexandra, em 26.02.17

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Elle é um thriller muito bom que começa com Michèle sendo violada e que se desenrola à medida que esta tenta descobrir o responsável por este acto. À medida que lidamos com o trauma de Michèle e o seu constante receio de que se repita a violação, somos colocados no meio de uma estrutura familiar, de amigos e do seu próprio trabalho, cheia de perturbações, mentiras, ciúmes e traições.

 

Apesar da qualidade deste filme, tenho algumas dúvidas se Isabelle Huppert merece estar nomeada para o óscar de melhor actriz principal. O seu desempenho é bastante bom, mas não o considero soberbo ao ponto da nomeação. Se procuram um filme que vos deixe constantemente em sobressalto e desconfortáveis (há bastante tempo que não encontrava isto num filme e acabou por ser uma boa experiência) não deixem de ver Elle.

 

Pontuação: 7/10

 

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Cinema | Florence Foster Jenkings

por Alexandra, em 26.02.17

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Florence Foster Jenkings é um filme que se lhe retirássemos a participação de Meryl Streep seria um profundo fracasso, no meu entender. Meryl dá a profundidade e a comédia necessárias que este género de filme necessita para que não desistamos dele, tornando esta história verdadeira, a história de uma das piores cantoras de sempre, num filme engraçado de assistir.

 

Só Meryl Streep poderia fazer algo de um filme que, apesar de poder ser considerado inspirador, não é muito forte. É simplesmente a história de uma mulher que canta mal, muito mal, mas que vive na profunda ilusão de que canta bem e que todos adoram a sua voz, ilusão alimentada pelo marido que vai segurando as pontas de toda a loucura que gira em torno de Florence. Ainda pensei que no final surgisse algum rasgo de lucidez autónomo e não responsável por outros, mas não.

 

Pontuação: 6/10

 

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Cinema | Toni Erdmann

por Alexandra, em 26.02.17

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Toni Erdmann é um filme fantástico sobre a conexão perdida entre pai e filha e o que implica voltar a reavivá-la. Este pai vai seguir um caminho completamente cómico e surreal, que à primeira vista pode parecer pouco credível, mas que qualquer um de nós ficaria desejoso que pudesse acontecer connosco se estivessemos na mesma situação.

 

Primeiro, tomando o lugar da filha, deixa-nos perplexos e desconfiados com o ridículo da situação e com os impactos que as acções deste pai têm na carreira da filha, mas depois faz-nos rir ao mesmo tempo que nos emociona quando percebemos que as barreiras se estão a quebrar e que tudo volta a equilibrar-se e que este é um caminho tão ou mais válido que qualquer outro. Faz-nos desejar que alguém se sujeitasse a tudo isto para reatar uma relação connosco.

 

Este é um daqueles filmes que mais vale não saber grande coisa sobre ele e deixarmo-nos guiar por aquilo que ele nos dá. Vejam-no.

 

Pontuação: 9/10

 

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Cinema| Moonlight

por Alexandra, em 26.02.17

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De todas as opiniões que já tinha lido sobre os filmes nomeados para os Óscares, a minha maior aposta era para Moonlight. As minhas expectativas com este filme eram, portanto, altíssimas e todos estamos familiarizados com o que tende a acontecer nestes casos.

 

Em primeiro lugar, sinto que devo partilhar que não vi este filme de seguida, vi cada uma das suas metades em dias separados, pelo que reconheço que tal possa ter tido alguma influência na minha opinião. No início estava a gostar bastante de Moonlight, uma história de descoberta pessoal de um miúdo, Chiron, até à sua vida adulta. No entanto, na parte III, não fiquei particularmente impressionada, achei que a história de Chiron tomou um rumo um tanto ou quanto sem sentido num aspecto, que o final era previsível e o desenlace demasiado rápido. Para além disto, achei que o actor desta última parte não era nada parecido com os outros dois e não consegui parar de pensar nisso durante o resto do filme.

 

Percebo o fascínio geral, que é uma história forte, intemporal e importante, tenho imensa pena de não ter adorado como a maioria das pessoas, mas reconheço que é muito bom.

 

Pontuação: 8/10

 

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Cinema | Jackie

por Alexandra, em 26.02.17

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Natalie Portman tem em Jackie um desempenho soberbo, quer a nível de colocação vocal, quer a nível de expressão facial e corporal. Este filme centra-se no que acontece após a morte do presidente John F. Kennedy sob o ponto de vista de Jacqueline Kennedy, sua mulher.

 

De início, Jacqueline mostra-nos de forma subtil os seus sentimentos face a este acontecimento marcante mas, à medida que o filme se vai desenrolando, Jackie torna-se mais transparente e a tristeza que carrega, os seus receios e o trauma que foi assistir ao assassinato do marido começam a ser transmitidos sem filtros ao espectador, que se vê arrastado numa espiral de sofrimento, quase sempre camuflado pela postura de Jacqueline que, vista do exterior, aparenta ser forte e determinada, sempre decidida a honrar a memória do marido. 

 

Pontuação: 7/10

 

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Cinema | Land of Mine

por Alexandra, em 24.02.17

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Este não é um filme sobre guerra, mas é um filme sobre o pós 2ª Guerra Mundial, sob um ponto de vista que provalvelmente poucos têm conhecimento ou sequer imaginaram. Com o término da 2ª Guerra Mundial, a costa dinamarquesa foi percorrida por miúdos alemães que tinham como objectivo desactivar dois milhões de minas com as suas próprias mãos.

 

Land of Mine é um filme de uma dureza atroz, com imagens chocantes e que nos deixa em permanente sobressalto, sempre à espera que rebente a próxima mina e de saber quem será o alvo da mesma. As condições em que estes rapazes alemães são forçados a trabalhar são extremamente duras, ainda que se consiga perceber que a preocupação com as pessoas desta nacionalidade fosse absolutamente nula tendo em conta o contexto em que este filme se insere. Ainda assim, nada poderia justificar que se enviassem crianças para fora do seu país e das suas famílias para fazer este (ou qualquer outro) tipo de trabalho. Mais uma vez, quando chegou àquela parte final em que se descrevem os factos históricos por palavras escritas, já eu estava a chorar. Recomendo muito, apesar de ser bastante duro em termos ilustrativos, bem como psicológicos.

 

Pontuação: 9/10

 

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Cinema | Tanna

por Alexandra, em 24.02.17

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Tanna é um filme cuja acção se desenrola numa ilha remota do Pacífico com um vulcão em actividade e que é protagonizado pela tribo Yakel. É uma história comum, mais que vista em diversos contextos, mas que naquele ambiente tão particular acaba por ter um papel importante.

 

De modo a resolver as divergências que se têm arrastado nos últimos tempos entre duas tribos, Wawa é prometida em casamento a um membro da tribo rival, quando está apaixonada por Dain. O filme desenrola-se em torno deste amor proibido e tem um desfecho previsível tendo em conta os clichés românticos associados aos amores proibidos, com um impacto essencial para as tribos.

 

Gostei particularmente da prestação da irmã de Wawa, a Selin (Marceline Rofit), e da fotografia, principalmente as filmagens do vulcão, mas isto não chegou para contrastar com a história já mil vezes vista e que não me conseguiu fazer olhar para o filme com outros olhos.

 

Pontuação: 6/10

 

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Filmin | Mustang

por Alexandra, em 23.02.17

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Ainda não tinha tido oportunidade de ver este filme, que esteve nomeado para o Óscar de melhor filme estrangeiro em 2016, mas como ficou disponível recentemente na plataforma Filmin aproveitei para colmatar esta falha, uma vez que já tinha ouvido falar maravilhas. Cereja no topo do bolo: realizado por uma mulher, Deniz Gamze Ergüven.

 

Confirma-se, é um filme da maior importância, que nos transporta para o íntimo destas cinco irmãs orfãs que vivem numa pequena vila da Turquia e que, por terem sido vistas a brincar inocentemente numa praia com rapazes, escandalizam os seus guardiões (avó e tio) devido à alegada imoralidade dos seus actos. Tal dá origem a que estas sejam aprisionadas em casa durante o Verão (e daí por diante) e que comecem a ser arranjados os seus casamentos.

 

Apesar da imensa tristeza que este filme nos traz à medida que se vai desenrolando, Mustang é incrivelmente belo, tem uma edição e uma fotografia maravilhosas e faz-nos torcer por estas miúdas até ao fim, em especial por Lale, a mais nova das cinco irmãs. Se ainda não viram, não percam mais tempo.

 

Pontuação: 10/10

 

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Cinema | Loving

por Alexandra, em 22.02.17

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Começo a notar uma certa tendência minha para gostar de filmes baseados em histórias reais. Fico, de imediato, emocionada quando aparecem imagens ou testemunhos das pessoas retratadas nos filmes, quando aparecem aquelas frases finais a explicar o que aconteceu depois (aqui já estou a chorar quase compulsivamente).

 

Loving é uma bonita história de amor inter-racial que foi fundamental para quebrar as barreiras do matrimónio entre casais de raças diferentes nos Estados Unidos, dado que deu a origem a uma guerra legal que terminou na Suprema Corte. Gostei bastante da interpretação de Ruth Negga que encarnou Mildred de uma forma soberba, uma mulher calma, ponderada e esperançosa de que podia não vencer algumas batalhas, mas que a guerra acabaria por ser, por fim, vencida. Temas como este continuam a ser pertinentes actualmente, essencialmente para percebermos que não foi há tanto tempo assim que existiram este tipo de preconceitos e de quão difícil foi lutar para ultrapassá-los. Filmes como Loving são fundamentais para não voltarmos a cair nos mesmos erros, ou, pelo menos, assim o espero.

 

Pontuação: 8/10

 

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Cinema| Fences

por Alexandra, em 22.02.17

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A primeira metade de Fences é um pouco "morna", a história é um tanto ou quanto banal, a acção é muito reduzida, quase nula, e senti pouca empatia com Troy (Denzel Washington) e com Rose (Viola Davis). Já começava a sentir que seria penoso ver este filme até ao final, perguntando-me sobre o que poderia acontecer (de interessante) na segunda metade.

 

Depois de uma revelação que não se pode considerar totalmente inesperada tendo em conta as pistas lançadas ao longo da primeira parte, Fences melhora consideravelmente graças à magnífica interpretação de Viola Davis (que merece, sem dúvida, o Óscar de melhor actriz secundária), que se torna, no meu entender, a alma de Fences. O filme torna-se de tal modo intenso que nos agarra por completo: queremos e precisamos de saber como vai terminar esta história. A segunda parte compensa sobretudo porque explora muito bem sentimentos como a frustração decorrente de um sonho perdido, a resignação face àquilo que é a nossa vida, a abdicação de determinados sonhos e vontades devido a esta resignação, e, finalmente, a rectidão de carácter, fazer o que está correcto independentemente de quão magoada e despedaçada a pessoa possa estar por dentro.

 

Pontuação: 7/10

 

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