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Ida ao Porto | Pop-Addiction

por Alexandra, em 10.11.16

Este é o último post de divulgação de locais que visitei no Porto. Desta vez o destaque vai para uma loja de Funkos Pop (e não só).

 

Pop-Addiction (Avenida da Boavista, 1655 | Facebook) - inicialmente estava um pouco de pé atrás com estes bonecos. Toda a loucura à volta deles parecia-me um enorme desperdício de dinheiro, confesso. A verdade é que, depois de comprar o primeiro, já vou no quarto e tenho uma lista quase interminável de possíveis futuras compras. Na visita ao Porto não pude deixar de ir à Pop-Addiction, já que, depois de uma pesquisa rápida pela net, pareceu-me a loja mais indicada para o efeito. Não me enganei. Esta loja está carregada de Funkos, literalmente, até ao tecto, não só os Pop, mas também Dorbz, por exemplo. O paraíso dos icónicos bonecos Funko, portanto. Aviso já que é praticamente impossível sair de lá sem trazer nada, porque entre personagens de séries e filmes ou até membros de bandas, irá de certeza haver um que nos vai fazer brilhar os olhos de contentamento e, pronto, não nos vamos conseguir separar mais dele. 

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Quando lá entrámos tinha acabado de chegar um carregamento deles. Ah! Que pequena maravilha. Nota dez também para os donos que foram super simpáticos.

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Como referi, neste momento já tenho uma boa quantidade deles debaixo de olho, de tal forma que era bem capaz de gastar umas largas centenas de euros a comprar todos os que quero. Enquanto não os posso comprar às paletes, a minha escolha na Pop-Addiction foi para a Wonder Woman. Já andava à procura dela há algum tempo porque, como sempre, nunca compro na altura em que saem, e depois parece que esgotam misteriosamente ou tornam-se mais difíceis de encontrar. Felizmente ainda havia lá um que veio logo comigo para Lisboa. Se são doidos por Funkos, não deixem de ir lá. Nota importante: a Pop-Addiction vai mudar em breve de loja, para um local mais central perto do metro da Trindade, podem ver tudo no Facebook. Infelizmente, com tanto Funko para ver acabei por me esquecer de tirar mais fotos à loja, deixo-vos as da Wonder Woman que é para lá de espectacular.

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Nota: nenhum dos locais que partilhei aqui no blogue me pagou para fazer publicidade e nenhum dos livros, discos ou bonecos me foi oferecido. Era bom, era.

 

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Ida ao Porto | Tubitek CDV

por Alexandra, em 09.11.16

Terminadas as livrarias, segue-se uma loja de música. Esta já conhecia e devo confessar que, de todas as lojas de música que conheço, é a minha preferida.

 

Tubitek CDV (Praça D. João I, 31 - Facebook) - reabriu no mesmo local da mítica loja de discos Tubitek, muito bem sucedida entre os anos 80 e 90, mas encerrada desde o ano 2000. A Tubitek CDV foi reaberta pelas mãos de um empresário do ramo da música (Abílio Silva) em conjunto com um antigo trabalhador da loja original (Ricardo Salazar).

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Não sou do tempo da mítica Tubitek (fechou quando tinha 10 anos e não vivia em Portugal Continental por esses tempos), mas creio que fizeram um excelente trabalho com esta homónima CDV. Portanto, se estão no Porto temporaria ou permanentemente e são apaixonados por música, não deixem de lá passar.

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Desta vez não trouxe nenhum vinil comigo porque neste momento estou particularmente interessada em dois (Wolf Alice - My Love Is Cool e Florence + The Machine - Lungs) e nenhum destes está a ser fácil de encontrar (apenas em último caso recorrerei à venda online). Já o meu namorado trouxe uma edição especial (com uma gravação com o logo da banda em relevo no lado D) do último álbum de Dillinger Escape Plan - Dissociation, lançado em Outubro deste ano.

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Estou a Ler: Os Passos em Volta

por Alexandra, em 08.11.16

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O primeiro impacto com esta obra de ficção de Herberto Helder não foi tão bonito como imaginei. Estava com algum receio, confesso, mas não esperava ficar completamente à deriva nos três primeiros capítulos.

 

Três curtos capítulos, para mim, tão complexos de decifrar. Tive de reler constantemente diversas frases, parágrafos, diálogos, em busca de um sentido, a maioria das vezes em vão. Comecei a sentir um ligeiro receio de que o livro fosse todo assim, não tencionava desistir, mas adivinhava uma constante luta que me impossibilitaria de desfrutar da leitura.

 

Passei, quase que instantaneamente, a uma fase de tristeza imensa porque, provavelmente, deveria ser um problema meu. Contudo, eis que ao quarto capítulo a magia acontece. No quinto e no sexto, continua a espalhar-se. Uma mudança subtil e, ao mesmo tempo, tão dramática, que preciso de ler desesperadamente os próximos. Isso e rezar para que não volte a tornar-se num conceito abstrato, de onde não lhe consiga desvendar um sentido, nem que seja só meu.

 

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Como já aqui falei, na sequência da minha ida ao Porto tenho vários sítios (livrarias e não só) para mostrar aqui no blogue. Desta vez, num post inteiramente dedicado à Confraria Vermelha - Livraria de Mulheres, a minha preferida das três que lá visitei (podem ver as outras duas aqui).

 

Confraria Vermelha - Livraria de Mulheres (Rua dos Bragas, 32 - Facebook | Site) - trata-se de um projecto feminista de Aida Suárez, que conseguiu tornar este espaço realidade através de uma acção de crowdfounding. Para além da livraria, neste espaço promovem-se workshops, visionamento de filmes, lançamentos de livros e tertúlias. 

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A cereja no topo do bolo é a existência de um clube de leitura mensal (As Leitoras de Pandora | Goodreads) para debater um livro de ficção numa perspectiva feminista, pessoal e colectiva. Como se não bastasse, nos encontros mensais há também petiscos para provar e saborear. Sinceramente, não sei como é que não existem mais espaços como este em todo o país. Fiquei com imensa vontade de ter ou frequentar um espaço semelhante (se houver por aí alguém interessad@, vamos a isso!).

 

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Como este espaço ganhou de imediato um lugar especial no meu coração, fui incapaz de sair de lá sem trazer um livro comigo. A escolha recaíu no Mal-entendido em Moscovo, de Simone de Beauvoir. Desta autora já tenho os dois volumes d'O Segundo Sexo, editado também pela Quetzal, mas que ainda não me aventurei a ler. Assim, pretendo começar por este, mais pequeno, e depois lançar-me aos outros dois. Os livros são-nos entregues nesta embalagem de papel, escrita à mão, e é-nos dado um marcador em madeira. Impossível não ficar encantada.

 

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Se forem ao Porto ou se são de lá (ou perto) e ainda não conhecem esta livraria, passem por lá e espalhem sororidade. Confesso que desconhecia por completo este termo (provavelmente sou uma alma perdida que nunca chegará a feminista), mas gostei muito da sua definição: 

 

sororidade

1. Relação de união, de afeição ou de amizade entre mulheres, semelhante à que idealmente haveria entre irmãs.

2. União de mulheres com o mesmo fim, geralmente de cariz feminista.

 

"sororidade", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 

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Opinião | Uma Ideia da Índia

por Alexandra, em 06.11.16

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Título: Uma Ideia da Índia

Autor: Alberto Moravia

Editora: Tinta-da-China

 

Uma Ideia da Índia foi publicado inicialmente como um conjunto de artigos para o jornal Corriere della Sera, posteriormente reunidos num livro. Em 2008, foi editado em português, nesta edição primorosa da Tinta-da-China (colecção de Viagens).

 

Este livro resultou de uma viagem de um mês e meio, em 1961, na qual Moravia percorreu a Índia. Apesar de ser óbvio que esta visão tem 55 anos, a forma como Moravia expõe vários aspectos da Índia pode considerar-se transversal até aos nossos dias, com algumas mudanças aqui e ali, acredito eu, mas com uma essência muito semelhante à que Moravia testemunhou naquela época. 

Deverias senti-la, lá longe, a oriente, para lá do Mediterrâneo, da Ásia Menor, da Arábia, da Pérsia, do Afeganistão, lá longe, entre o Mar da Arábia e o Oceano Índico, onde está e te aguarda.

 

A pobreza, a religião, a morte e a colonialização são os pontos-chave deste livro, sendo descritos com uma maestria quase próxima da perfeição, de forma bela e dramática, algo a que é impossível ficar indiferente durante a leitura deste livro. A prova disso é que marquei imensas passagens e tive alguma dificuldade em escolhê-las para esta opinião, que já estou a adivinhar que se vá tornar bastante extensa. 

Para o viajante ocidental dotado de sensibilidade, a Índia significa dois traumas: o primeiro é aquele que é provocado pelo encontro com uma pobreza enferma e frenética, de tipo medieval, que no Ocidente desapareceu há alguns séculos; o segundo resulta do choque com a religião politeísta de fundo naturalista, também ela morta na Europa há séculos, e na Índia, pelo contrário, ainda floresce.

A fogueira deverá arder durante quatro horas ou seis, e no final a cinza será espalhada no Ganges (...). Estamos dez minutos ou vinte, ou meia hora, a olhar para aqueles homens e para aquelas mulheres que têm os olhos fixos na fogueira em que arde o seu defunto, e por fim compreendemos que esta indiferença tão estóica não é a da insensibilidade e da frieza, mas sim a da religião, que considera a morte uma simples mudança de vestuário ou de invólucro. Naquela fogueira, de acordo com um frase notória, não se consome uma pessoa única e irrepetível, mas sim um vestido coçado, que já não prestava, uma pele velha que se abandona por outra nova.

 

Para Moravia, os conflitos religiosos entre a religião bramânica e a muçulmana, o sistema social das castas que apesar de, à data da visita de Moravia à Índia, já se encontrarem legalmente abolidas, continuavam a sobreviver por toda a parte, apegadas aos costumes e às tradições indianas, juntamente com a colonialização, especialmente a britânica, criticada em diversos momentos do livro, são os principais focos problemáticos da Índia, e que tornam aquele país tão peculiar.

A diferença entre a religião muçulmana e a bramânica não podia ser maior: a primeira é, a um tempo, ética, social e política; a segunda, cósmica, filosófica e metafísica.

O sistema das castas, pelo contrário, foi provavelmente o único que teve como raiz o princípio da discriminação racial, ou seja, um princípio que negava em absoluto ao homem qualquer possibilidade de desenvolvimento livre e autónomo.

Os colonialismos português, francês e holandês estão ali presentes para testemunhar, com os seus vestígios transitórios, que não se conquista a Índia, isto é, não se transforma a Índia se não nos deixarmos transformar por ela. Por outras palavras, o simples colonialismo não basta, é necessária a simbiose.

 

Em jeito de conclusão, considero que Uma Ideia da Índia deveria ser lido por todos os que procuram saber mais sobre a Índia, para aqueles que sonham um dia ir até lá, e até mesmo para aqueles que à partida não nutrem grande tipo de interesse pela Índia. Provavelmente irão desenvolvê-lo ao longo da leitura deste livro.

A Índia é um continente em que são dignos de interesse, sobretudo, os aspectos humanos. Desse ponto de vista, a Índia é com certeza a nação mais original de toda a Ásia, pelo menos para nós, europeus, que logo tentamos descobrir semelhanças e afinidades que procuraremos em vão na China ou no Japão.

Diríamos mesmo que não se pode compreender por completo a civilização europeia se não se conhecer a Índia. Mas a Índia vista com os olhos do turista ignorante até pode ser uma desilução.

 

Pontuação: 4/5

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Desejos de fim-de-semana

por Alexandra, em 05.11.16

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Vinil de Wolf Alice, álbum My Love Is Cool

Manual para mulheres de limpeza, de Lucia Berlin, editado pela Alfaguara

Funko Pop da Eleven, da série Stranger Things

 

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Ontem fiz uma visita relâmpago ao Porto e vim de lá cheia de coisas para mostrar. As primeiras duas são a Livraria do Mercado e A Casa da Boavista.

 

Livraria do Mercado (Mercado do Bom Sucesso - Facebook) - iniciativa da editora Calendário de Letras, que aposta sobretudo nos fundos editoriais, tendo também algumas novidades. Encontrei uma boa quantidade de livros da editora Civilização (edições mais antigas) a 5 euros. 

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A Casa da Boavista (Av. da Boavista, 919 - Facebook) - com um conceito muito particular, junta uma livraria com um café-bar, no piso térreo, e um espaço para exposições, no piso superior. Gostei particularmente da forma como o espaço foi aproveitado, sobretudo no que diz respeito à livraria, conjungando a decoração de uma casa antiga (ou vintage, se preferirem) com os livros, numa simbiose quase perfeita. Único senão: apenas encontrei livros da Chiado Editora. O café-bar também é maravilhoso.

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A revista Estante deste Outono tem um artigo que reúne os 12 melhores livros portugueses dos últimos 100 anos. Esta lista de 12 livros foi escolhida por um júri constituído por Carlos Reis, professor e ensaísta, Isabel Lucas, jornalista, Manuel Alberto Valente, editor da Porto Editora, e Pedro Mexia, crítico literário e assessor cultural do Presidente da República, sendo que as obras incluídas teriam de ser de ficção e os autores de nacionalidade portuguesa.

 

De entre os 12 livros escolhidos, destaco A Sibila (Agustina Bessa-Luís), Livro do Desassossego (Fernando Pessoa), Mau Tempo no Canal (Vitorino Nemésio), O Ano da Morte de Ricardo Reis (José Saramago), Os Cus de Judas (António Lobo Antunes), Os Passos em Volta (Herberto Helder) e Sinais de Fogo (Jorge de Sena). Como sou um bocado a atirar para o obcecada com listas, esta passou imediatamente a fazer parte da minha lista de listas, passe o pleonasmo, e nada melhor do que começar a ler um dos livros da mesma.

 

Como são autores nacionais, lembrei-me automaticamente do projecto da Cláudia, Ler os Nossos, por isso decidi ler este mês Os Passos Em Volta, de Herberto Helder, e participar no projecto.

 

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Estou a Ler: Uma Ideia da Índia

por Alexandra, em 02.11.16

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Comecei a ler ontem e já tenho uma boa quantidade de anotações que quero muito partilhar. Há já algum tempo que queria ler um livro de viagens e esta edição de capa dura da Tinta-da-China, que faz parte da biblioteca cá de casa, e que já me havia sido recomendada variadíssimas vezes, estava debaixo de olho. Em primeiro lugar, por ser uma edição tão bonita e cuidada, como a Tinta-da-China nos tem habituado sempre (deixo um link para a colecção de Viagens), em segundo, por ser sobre a Índia. É um país tão fértil nos mais variados aspectos que me faz sentir que será impossível que este livro me desiluda. Abaixo deixo dois excertos da introdução.

 

A Europa não é religiosa.

É o quê, a Europa?

(...) Como indiano, dir-te-ia: a Europa, aquele continente onde o homem está convencido de que existe e de que se encontra no centro do mundo, e onde o passado se chama história, e a acção é preferida à contemplação; a Europa onde comummente se crê que a vida vale a pena ser vivida, e onde o sujeito e o objecto convivem em boa harmonia, e duas ilusões como a ciência e a política são levadas a sério e a realidade nada esconde, e no entanto, apesar disso, é nada; o que tem a Europa a ver com a religião?

 

(...) a religião é a gruta de Elephanta, próximo de Bombaim, ao fundo da qual está esculpida em alto-relevo a efígie de Xiva. Esta escultura tem algumas características particulares, graças às quais se pode, com razão, apontá-la como a melhor descrição daquilo a que eu chamo a Índia, ou seja, a religião. (...) É gigantesca, ou seja, ultrapassa a estatura humana; reduz-se apenas à cabeça, ou seja, é obcecante; é multíplice, ou seja, omnipresente. Mas, sobretudo, representa Deus, não como homem, que é o modo europeu de o representar, mas como Deus. (...) Deus é pingue, de meia idade, tem o lábio inferior cheio e pesado, a fronte alta, o queixo gordo, as orelhas grandes. Por outras palavras, a representação de Deus não é idealizada, como na Europa, mas realista.

 

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Greetings

por Alexandra, em 01.11.16

Há algo de extraordinariamente belo nos (re)começos. Carregam optimismo, esperança e vontades imensuráveis. Fazem-nos transbordar de ideias, objectivos e promessas. Já só sonhamos com isto. Dia e noite. Apesar do receio semi-consciente de falhar, estamos de tal forma contagiados de confiança, que nem o minúsculo receio nos atrapalha, as coisas só podem correr bem.  

 

É nesta amálgama de sentidos que irá começar a rodar este Gira-Livros. Capa, Contracapa. Lado A, Lado B. Vamos a isso.

 

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