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Desejos de fim-de-semana

por Alexandra, em 19.11.16

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Arquipélago, de Joel Neto, editado pela Marcador

Funko Pop da Daenerys Targaryen, da série Game of Thrones

 

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Próximas leituras | Encomenda

por Alexandra, em 18.11.16

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Os próximos livros que pretendo ler no mês de Novembro são de José Saramago e Teresa Veiga, para o projecto Ler os Nossos, sendo que com a leitura de Terra do Pecado darei finalmente início ao projecto Ler Saramago, algo que já estava a adiar há bastante tempo. Nunca li nada de Teresa Veiga e tenho muita curiosidade em fazê-lo, especialmente devido a este fantástico título.

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Esta semana recebi uma encomenda com estes quatros livros (e ainda está um em falta), todos de autores que nunca li e que fui vendo repetidas vezes em pesquisas que fiz, na tentativa de chegar a uma lista de livros essenciais, ou de leitura obrigatória (nem sempre estes títulos em concreto, mas destes autores). Gosto muito deste tipo de listas, mas há tanta informação sobre o assunto que em vez de chegarmos a 100 ou 200 livros e pararmos, ficamos com uma lista que ultrapassa largamente este número, dividida entre autores intemporais, autores contemporâneos, autores portugueses, escritoras de leitura obrigatória, e que parece que irá perpetuar-se até chegarmos ao "fim da internet". Enfim, um mar de informação que nos deixa em extâse, afinal é o nosso amor, e em pânico, porque não haverá tempo nem possibilidade (financeira, editorial, etc.) para tudo.

Há cerca de um mês, depois destas pesquisas mais ou menos aleatórias, comecei a fazer um trabalho de investigação baseado no livro 1001 Books You Must Read Before You Die (1001 Livros para Ler Antes de Morrer), baseando-me na lista em inglês, através da qual procurei as edições correspondentes em português, título, editora, escritor, nacionalidade, género, link no goodreads, lido/não lido, na minha biblioteca pessoal ou não. O ideal seria ler todos os livros desta lista, embora sejam imensos e seja coisa para demorar uns bons anos, mas sobretudo alargar o meu conhecimento a nível literário. Há tanta coisa que ainda desconheço.

Penso que tenho sensivelmente um quarto do trabalho feito, mas tenho tido alguma preguiça em adiantá-lo nas últimas semanas. Além de ser um trabalho moroso, torna-se demasiado mecanizado por vezes e não quero que seja uma obrigação. Tem de ser algo para ir fazendo quando tiver vontade, que me dê prazer em descobrir, que me faça enervar por tantos ainda não terem sido editados em Portugal. Espero este fim-de-semana adiantar mais alguns títulos e pode ser que quando acabar nasça aqui um projecto para concretizar até morrer.

 

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Estou a Ler: A Gorda

por Alexandra, em 17.11.16

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Este foi, para mim, o típico livro que, assim que começam a surgir notícias divulgando a sua sinopse e anunciando que o seu lançamento está para breve, sinto de imediato a necessidade de o ter nas minhas mãos, de saborear a sua escrita, os seus detalhes, adivinhando que será um pequeno tesouro num oceano vasto de obras e escritores. Comprei-o no fim-de-semana passado e comecei a ler esta semana para o projecto Ler os Nossos e para o desafio #leiamulheres de que tanto gosto.

 

Após mais de 100 páginas lidas, posso afirmar que está a corresponder às expectativas. Isabela Figueiredo escreve de uma forma muito crua, penso que seja este o termo mais adequado, algo que sinto falta de ler mais vezes. Maria Luísa dá a voz a este romance, onde narra a sua vida, começando por nos apresentar a porta de entrada (presente), após ter feito uma gastrectomia que a fez perder quarenta quilos. Deixou de ser gorda, portanto. Depois de feitas as apresentações, prossegue para as restantes divisões da sua casa (literalmente) recuando no tempo, para 1975, quando veio de Moçambique, sem os pais, estudar para um colégio na Lourinhã e seguindo daí em diante. Maria Luísa mostra-nos que, apesar de ser gorda e ter sofrido com isso, era muito mais do que um mero adjectivo. Estou a lê-lo devagarinho, de modo a desfrutar de todos os seus pormenores.

Sem escrita não havia uma casa onde chegar, tirar o casaco, pendurá-lo, acarinhar a cadela, levá-la à rua, regressar, alimentá-la, sentar-me no sofá e apreciar o gesto. Podia viver sem tomar banho, sem beijos, mas sem escrita não. Ninguém entendia isto, e viravam-me as costas como se referisse uma mania, um vício de gente abastada que se pode dar a luxos. "Estás maluca."

 

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Cinema | O Primeiro Encontro

por Alexandra, em 16.11.16
Esta segunda fui ao cinema ver O Primeiro Encontro, o novo filme de ficção científica de Denis Villeneuve, no qual chegam à Terra 12 naves extra-terrestres, espalhadas por diversos pontos do globo. 

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Amy Adams assume o protagonismo do filme, no papel de Louise Banks, uma linguista recrutada pelo exército norte-americano com a missão de traduzir/estabelecer comunicação com os extra-terrestres, de forma a que se compreenda o motivo pelo qual estes vieram até ao nosso planeta, durante sucessivas visitas à nave que se encontra em Montana. Fiquei completamente fascinada com o desempenho da atriz, uma vez que Louise é uma personagem frágil, atormentada por uma tragédia, mas muito poderosa.

 
Este não se trata do típico filme de invasão alienígena em que estamos constantemente à beira do desastre apocalípitco, é bastante mais calmo, contudo, não há momentos leves ou descontraídos. É impossível ficar indiferente ao ambiente de total e constante tensão que transmite - houve momentos em que não pude deixar de notar que não se ouvia um único ruído na sala de cinema, quero acreditar que devido à forte carga emocional, o que culminou numa excelente experiência cinematográfica.
 
Sem querer desvendar mais do que se passa ao longo de quase duas horas de filme, posso acrescentar que O Primeiro Encontro tem uma base humana muito forte, fazendo uso de uma metáfora essencial para os nossos dias. É um alerta evidente para a problemática da comunicação e da falta de partilha de informação entre várias potências mundiais, como os EUA, a China ou a Rússia. É um filme muito bom, com excelente pontuação no IMDb, no entanto, não vão vê-lo convencidos de que é um filme repleto de acção até porque não há grande variação de cenário - este consiste essencialmente na base improvisada dos americanos, junto a uma das 12 naves. Vão sim de mente aberta e preparados para uma óptima experiência.
 

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BookTag | By the Book

por Alexandra, em 15.11.16

A Sandra do blogue Say Hello To My Books convidou-me a responder à TAG By The Book, que me pareceu, logo à primeira vista, muito interessante. Portanto, vamos lá:

 

1. Qual o livro que está na tua cabeceira? A Gorda, de Isabela Figueiredo.

 

2. Qual foi o último livro realmente bom que leste? É-me um bocado complicado responder a esta questão porque ultimamente não tenho dado cinco estrelas a nenhum livro. Gostei muito de vários, mas não fico totalmente arrebatada há alguns meses. Sendo assim vou escolher Somos o Esquecimento Que Seremos, de Hector Abad Faciolince, e Stoner, de John Williams. Uma nota especial também para O Ruído do Tempo, de Julian Barnes. Todos muito bons, lidos este ano.

 

3. Se pudesses encontrar qualquer escritor, vivo ou morto, quem seria? O que lhe perguntarias? José Saramago, sem qualquer dúvida. Contudo, acho que me sentiria bastante intimidada por falar com um homem tão espectacular. Penso que não há muito a fugir, o que lhe perguntaria seria qual a fonte de inspiração para ideias absurdamente geniais.

 

4. Qual livro ficaríamos surpresos de encontrar na tua estante? O Monge Que Vendeu o Seu Ferrari, de Robin Sharma (que nem é meu, mas ainda não tive oportunidade de o devolver). Confesso que tinha alguma curiosidade em lê-lo, uma vez que nunca tinha lido nenhum livro do género e este chamava-me particularmente a atenção.

 

5. Como organizas a tua biblioteca pessoal? Actualmente está bastante desorganizada, completamente a rebentar pelas costuras. Ainda assim, segue uma linha do género: poesia, teatro, escritores estrangeiros e, por fim, escritores portugueses (por ordem alfabética). Gostava muito de a reorganizar, mas tem-me faltado a coragem.

 

6. Que livro já "deverias ter lido"? Tantos, Os Irmãos Karamázov e Guerra e Paz, por exemplo.

 

7. Um livro que te desapontou e que é sobrevalorizado / Um livro que todos dizem ser a tua cara, mas que não gostaste / Último livro abandonado. Não tenho por hábito abandonar livros, mas penso que o mais relevante que abandonei há menos tempo, por não estar a conseguir entrar no ritmo de leitura, foi Dom Quixote de La Mancha. Preciso muito de recomeçá-lo. Hoje, tenho praticamente a certeza de que vou adorar lê-lo. Na altura (início deste ano), estava a ser muito penoso, pelo que a decisão mais acertada foi parar antes das 300 páginas.

 

8. Que tipo de histórias chamam a tua atenção? De que tipo de histórias manténs a distância? Os meus livros preferidos são os clássicos da literatura mundial, mas também sou particularmente fã de não-ficção e de literatura contemporânea. Não sou grande apreciadora de young adult, nem de romances históricos.

 

9. Se pudesses indicar um livro para o Presidente, qual seria? Aposto que já leu praticamente todos os livros possíveis e imaginários, ainda assim escolheria como releitura Crime e Castigo. Ao Presidente e a todos os que estiverem a ler isto.

 

10. Que livros pretendes ler em breve? Quando faço muitos planos de leitura estes acabam sempre por me sair furados, mas em breve gostava de ler Terra do Pecado, de José Saramago, para os projectos Ler os Nossos e Ler Saramago, ambos da Cláudia.

 

Gostava de ver as respostas da Cláudia e da Carolina a esta TAG (julgo que ainda não responderam), mas qualquer um se pode considerar convidado a responder.

 

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Opinião | Mal-entendido em Moscovo

por Alexandra, em 14.11.16

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Título: Mal-entendido em Moscovo

Autor: Simone de Beauvoir

Editora: Quetzal

 

Mal-entendido em Moscovo é um livro/conto que se lê praticamente de um trago, nem chega às 100 páginas, com uma mensagem bastante interessante e pertinente. Confesso que tinha muita curiosidade quanto à escrita de Simone de Beauvoir mas tive receio de começar com O Segundo Sexo, que comprei de impulso devido à temática. Queria muito desfrutar da sua leitura, pelo que este primeiro contacto com a sua escrita foi vital para que os dois volumes saiam em breve da estante para as minhas mãos, após mais de um ano de espera.

 

Este livro relata a crise conjugal de um casal de meia idade, Nicole e André, durante uma viagem a Moscovo de visita à filha do primeiro casamento de André, Macha. Para além da crise conjugal que nos é apresentada, Simone de Beauvoir explora outras temáticas mais abrangentes, fazendo um relato sobre a União Soviética em meados dos anos 60 e mencionando a condição feminina da geração de Nicole, absorvida pela vida familiar, bem como da geração seguinte, que tudo tenta conciliar, sem de facto aprofundar alguma coisa.

 

A parte que mais me interessou durante a leitura do livro foi de facto a crise conjugal, justaposta ao pensamento e à condição feminina que nos é apresentada. A forma como Beauvoir explora e escreve sobre os sentimentos e pensamentos dos personagens principais, Nicole e André, tocou-me de forma especial, relembrando-me Ferrante, no que toca sobretudo a Nicole. A sua escrita tem um encanto especial quando se debruça sobre as problemáticas femininas.

Nunca imaginara que viria a preocupar-se com o seu peso. E vejam só! Quanto menos se reconhecia no seu corpo, mais se sentia obrigada a tratar dele. Tinha-o a seu cargo e cuidava-o com uma devoção enfastiada, como de um velho amigo caído em desgraça e diminuído que precisava da sua ajuda.

Nunca recuperou desse olhar; deixou de sentir-se conciliada com o seu corpo: era um estranho despojo, uma máscara deplorável. Talvez aquela metamorfose tivesse sido gradual, mas a sua memória condensava-a naquela imagem: dois olhos de veludo que se desviavam dela com indiferença. Desde esse dia, sentiu-se gélida na cama: temos de gostar um pouco de nós próprios para nos deleitarmos nos braços do outro.

 

A mensagem deste conto prende-se sobretudo com a comunicação com o outro, explorada à medida que se descreve a problemática do envelhecimento: o desgaste dos corpos, a renúncia à sexualidade, o abandono dos projectos, a perda de esperança (excerto do prefácio). O facto de me ter identificado com alguns dos problemas relatados ao longo deste livro, apesar de ainda ter menos de 30 anos, contribuiu largamente para a minha opinião positiva, embora sinta um misto de sensações face à dimensão da narrativa. Por um lado, está lá tudo, por outro, poderia ler mais cem páginas sem me importar absolutamente nada.

 

Pontuação: 4

 

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Desejos de fim-de-semana

por Alexandra, em 13.11.16

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 Todos os Contos, de Clarice Lispector, editado pela Relógio D'Água

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Venda de Livros | José Saramago

por Alexandra, em 12.11.16

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Como pretendo comprar as novas edições dos livros de José Saramago, editadas pela Porto Editora, gostava de vender as anteriores que já tenho. Todos os livros ficam a 6€ (com portes incluídos). Podem vê-los com mais detalhe, aqui.

 

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Biblioteca Pessoal | Herberto Helder

por Alexandra, em 12.11.16

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Lidos até ao momento: Servidões e Os Passos em Volta.

 

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Opinião | Os Passos em Volta

por Alexandra, em 11.11.16

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Título: Os Passos em Volta

Autor: Herberto Helder

Editora: Assírio & Alvim

 

Decidir que pontuação dar a este livro foi um processo demorado, pelo que escrever uma opinião sobre o mesmo, tornou-se também uma árdua tarefa. Não é um livro fácil, mas contém partes incrivelmente belas. Os Passos em Volta é um livro que claramente ou se ama ou se odeia, não há lugar para meios-termos.

 

Na revista Estante da Fnac (a partir da qual escolhi este livro para ler durante o Projecto Ler os Nossos, tal como já tinha referido aqui), este livro é descrito como estando entre o conto, o romance e o discurso autobiográfico, num livro que espelha o homem-poeta com um tom reflectivo de quem procura respostas. Referem também que Herberto Helder foi um dos pioneiros do surrealismo em Portugal e julgo que foi este o factor que determinou que a minha experiência não fosse completamente perfeita. Como já tinha referido no post sobre as minhas primeiras impressões sobre o livro, os primeiros capítulos/contos foram-me difíceis de interiorizar e compreender, acredito que sobretudo devido a esta componente mais surreal. Por melhor que fossem as minhas intenções e fascínio pelos restantes capítulos, senti um certo desapontamento nas partes em que não encontrei um sentido, mas assumo-o como uma lacuna minha, enquanto leitora.

 

Falando agora no que me deixou de coração cheio ao ler este livro: há algumas passagens e até mesmo contos inteiros deliciosamente perfeitos. Há qualquer coisa de magnético na escrita de Herberto Helder, que penso não ter conseguido captar quando li a sua poesia (uma ínfima parte, diga-se, pois até agora li apenas Servidões, publicado em 2013). Para além de alguns capítulos da primeira metade deste livro, fascinaram-me sobretudo os últimos (o tal discurso autobiográfico que citei acima), o que me fez ficar tentada a atribuir-lhe as cinco estrelas. Puro deleite.

Annemarie sentou-se à minha mesa. Vi logo o tamanho da sua solidão: tinha o tamanho do mundo. Ela era a criatura mais só do mundo. E a sua história apareceu - simples, tenebrosa - entre as nossas duas cervejas. Todas as histórias pessoais são simples e tenebrosas. Não me comovi. Comovido já eu estava: com as coisas, comigo, com a chuva sobre a cidade. Talvez houvesse uma irónica alegoria em nós dois ali sentados diante dos belos copos frios, compreendendo ambos tão facilmente o que nos acontecia e iria acontecer que não tínhamos pressa. Poderíamos morrer ali mesmo. Esperávamos.

Sim, deite mais brandy. Sou um bêbado, claro. O que esperava? Que fosse um apóstolo, um assassino, um político, um anjo? Não, sou apenas um bêbado. Mais dois ou três dedos da bebida impura, como você diz nessa tão pitoresca linguagem moral. Não estou a pedir-lhe o amor ou a glória. É brandy e, repare, brandy de terceira categoria. Não é amor, mesmo de terceira categoria. Nem a glória de terceira categoria, coisa suficiente para nos sentirmos muito perto de Deus. Também já tive o amor. O que não teve a gente neste universo tão pródigo? Era arrebatador.

 

Contudo, não consigo fazer um balanço completamente perfeito desta leitura para lhe atribuir a pontuação máxima. Posso sim dizer que esteve bastante perto disso e que se fosse mais dada ao surrealismo, seriam cinco estrelas, sem qualquer dúvida. Não é um livro que recomende a todos os leitores, pois julgo que é necessária alguma maturidade para o ler, coisa que eu própria ainda não considero que tenha em abundância.

 

Pontuação: 4,5/5 (não gosto de dar meias-estrelas, mas neste caso é mesmo necessário)

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